France Presse
Trinta países garantem há três anos e meio a paz na Bósnia, no âmbito da força internacional, sob comando da Otan, que ontem foi citada pelo secretário-geral da aliança, Javier Solana, como modelo para uma futura força de paz no Kosovo.
A ONU, paralisada por um mandato que excluía o recurso às armas para fazer cessar a guerra na Bósnia (1992-95), cedeu à Otan a missão de pacificação.
A força da Otan na Bósnia obteve sua legitimidade no tratado de paz de Dayton, imposto pelos ocidentais, firmado por todas as partes do conflito bósnio a 14 de dezembro de 1995, e sancionado um dia depois por uma resolução (1031) do conselho de segurança.
Paralelamente, o Alto Representante na Bósnia (atualmente o espanhol Carlos Westendorp), encarregado da aplicação dos aspectos civis do acordo de Dayton, dispõe de amplos poderes executivos - destituição de cargos eleitos e imposição de leis por decreto - que em geral provocaram a comparação da Bósnia com um protetorado.
Os 60 mil homens da Ifor (força multinacional de paz) da época, como os 30 mi da atual Sfor (força de estabilização, para a qual contribuíram 30 países), estão sob o comando direto da Otan.
No entanto, quase um quarto da força - pouco menos de 7 mil homens - procede de países não-membros da aliança.
Os bombardeios contra a Iugoslávia puseram em perigo a coesão da Sfor. Rússia - principal aliada de Belgrado - ameaçou no mês passado retirar seus 1.400 homens antes de confirmar sua permanência.
A missão dessa força, que evoluiu desde 1995, consiste essencialmente em manter a paz. Os soldados da Otan supervisionaram o desarmamento dos ex-beligerantes e a reestruturação de suas forças, ajudaram o regresso dos refugiados e detiveram criminosos de guerra.
Em julho de 1998 a Sfor levou em conta a realidade atual da Bósnia, onde os distúrbios demonstraram que a violência não é militar mas civil. Assim se dotou de uma Unidade Multinacional Especializada, composta de 600 policiais militares italianos e argentinos.

mockup