Socialistas vencem eleições na Espanha
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domingo, 14 de março de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O Partido Socialista Operário Espanhol (oposição), de José Luis Rodríguez Zapatero, ganhou as eleições gerais de ontem na Espanha, anunciou o ministro do Interior, Angel Acebes. Com 85% dos votos apurados, e com 164 assentos no Congresso, os socialistas já haviam declarado vitória sobre os governistas do PP (Partido Popular), do candidato Mariano Rajoy.
O pleito foi marcado pelos ataques a bomba a quatro trens em Madri, na quinta-feira, nos quais morreram 200 pessoas e 1.500 ficaram feridas.
Os socialistas devem voltar ao poder depois da vitória do premiê José María Aznar sobre o socialista Felipe Gonzáles em 1996.
As pesquisas de boca-de-urna mostraram uma disputa voto a voto. A votação terminou às 20 horas locais (16 horas em Brasília).
Antes dos atentados, os governistas lideravam as intenções de voto nas pesquisas. Os espanhóis participaram em grande número na eleição numa aparente demonstração de confiança na democracia após os atentados.
A taxa de participação dos espanhóis na eleição chegou a 63,04% às 18h28 (14h28 em Brasília), superando em quase oito pontos percentuais o índice registrado na mesma hora na eleição de 2000 (55,45%), anunciou o Ministério do Interior.
Depois de votar, Aznar, que compareceu a uma seção eleitoral pela última vez como primeiro-ministro, e o seu candidato, Rajoy, foram aplaudidos por simpatizantes e vaiados por manifestantes que os acusaram de responsabilidade nos atentados.
Os manifestantes, na sua maioria jovens exibindo cartazes e adesivos com a palavra ''Paz'', gritavam: ''Os mortos da Espanha são os mortos do Iraque''. Eles exigiram o retorno imediato ao país dos 1.300 soldados espanhóis que integram a coalizão internacional comandada pelos Estados Unidos no território iraquiano.
Os principais candidatos da oposição também votaram pela manhã. Em Madri, o líder do Partido Socialista e, agora futuro premiê, Zapatero, disse que estava confiante na vitória e no início de uma nova etapa, na qual pretende recuperar a confiança do país.
Como consequência dos atentados, as eleições ficaram marcadas por medidas de vigilância excepcionais.
Mais de 100 mil policiais e guardas civis foram responsáveis pela segurança nas 24.426 seções eleitorais, segundo o Ministério do Interior.
A polícia temia, sobretudo, incidentes no País Basco (norte), onde militantes do ilegal partido radical basco Batasuna, considerado o braço político do grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade), distribuíram cédulas alternativas em nome da autodeterminação basca e que serão consideradas votos nulos.
Al Qaeda Apesar de o governo ter insistido em privilegiar a pista do ETA, novos indícios, revelados aos poucos, o obrigaram a admitir a crescente importância da pista islâmica, uma linha de investigação que foi ganhando força até a divulgação da segunda reivindicação da rede terrorista Al Qaeda, em uma fita de vídeo encontrada ontem à noite.
Assim como no primeiro comunicado, enviado na quinta-feira a um jornal de língua árabe com sede em Londres pelas ''Brigadas Abu Hafs al-Masri/Al Qaeda'', esse vídeo vincula diretamente os atentados de Madri ao apoio do governo de Aznar à administração do presidente norte-americano, George W. Bush, no conflito iraquiano.


