Tatiana Bautzer
Agência Estado
De Santiago
O presidente eleito Ricardo Lagos deve assumir o poder em março pedindo unidade ao Chile, depois de uma eleição que dividiu o país. O socialista Lagos fez questão de dizer em seu discurso e em sua primeira entrevista como presidente eleito que representará também os mais de 48% de chilenos que votaram no seu opositor de direita, Joaquín Lavín.
‘‘Vamos trabalhar para todos os chilenos’’, disse ontem durante sua primeira entrevista à imprensa. No discurso que fez logo após a divulgação do resultado na Praça da Constituição, no domingo à noite, Lagos deixou claro que fará o possível para que o general Augusto Pinochet seja julgado no Chile quando voltar ao país. ‘‘Em meu governo todos os chilenos são iguais perante os tribunais’’, disse o presidente eleito do Chile. O discurso foi interrompido por manifestantes que gritavam ‘‘julgamento para Pinochet’’. Ontem, Lagos voltou a afirmar que haverá independência para que o Judiciário decida se vai julgar ou não o general.
Lagos não revelou nenhum nome entre os seus possíveis ministros, e afirmou que divulgará a composição do gabinete em duas ou três semanas. Mas já começou a ser negociada a transição do atual governo da Concertación. Ontem, o presidente Eduardo Frei tomou café da manhã na casa de Lagos e começaram as reuniões de trabalho com a ex-chefe da campanha e possível ministra do Interior, Soledad Alvear. Na saída, Frei disse estar feliz com o resultado da eleição por representar ‘‘continuidade’’.
A única medida anunciada por Lagos ontem foi a criação de um seguro-desemprego para os trabalhadores e uma futura reforma do sistema trabalhista, provavelmente para aumentar os direitos trabalhistas. ‘‘Mas não será uma reforma contra os empresários’’, disse Lagos.
Sobre a grande votação obtida pela direita, que atingiu 48% dos votos, Lagos disse que sua legitimidade não deve ser questionada e juridicamente não faz diferença se a vantagem foi de muitos ou poucos pontos percentuais. Mas afirmou que escutará os eleitores que votaram na oposição. Nesta primeira semana após a eleição, Lagos deverá ter reuniões de trabalho e provavelmente na quinta-feira e sexta-feira viajará a províncias do interior do Chile para agradecer pelos votos recebidos.
Ontem, não houve novas totalizações de votos divulgadas pelo Ministério do Interior. Até ontem, foram divulgados os resultados de 99,8% das urnas, que dão a Ricardo Lagos 51,32% das preferências e a Joaquín Lavín, 48,68%. Os resultados correspondentes a 100% dos votos deverão ser divulgados nos próximos dias, depois da revisão da apuração pelo Tribunal Eleitoral.Depois de uma eleição que dividiu o país, o presidente eleito Ricardo Lagos prega a reconciliação. Apesar da derrota, direita sai fortalecida
France PresseContinuidadeRicardo Lagos (d), o presidente Eduardo Frei e esposas saúdam correligionários ontem da varanda da casa de Lagos

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