Socialista é o candidato oficial no Chile
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Ansa e Associated Press 
O socialista Ricardo Lagos pediu ontem em Santiago do Chile a unidade com o Partido Democrata Cristão (PDC) que derrotou anteontem nas primárias para a escolha do candidato do oficialista Acordo de Partidos para a Democracia. Lagos teve 71,34% dos votos. Serei o candidato do Acordo para ser o presidente de todos os chilenos.
Advogado e doutor em Economia, 61 anos, o socialista Lagos disputa a presidência do país em 12 de dezembro com o apoio do Partido Socialista (PS), pela Democracia (PPD) e Radical Social Democrata (PRSD). O candidato derrotado Andrés Zaldívar (PDC), atual presidente do Senado, e que teve 28,66% dos votos, pediu aos seus partidários que trabalhem por Lagos para que o Acordo volte a ser governo no novo milênio.
O Acordo, integrado pelos quatro partidos, governa o Chile desde o restabelecimento da democracia em 11 de março de 1990, primeiro com Patricio Aylwin, e desde 94 com o atual mandatário, Eduardo Frei. Lagos deve enfrentar Joaquín Lavín, candidato do pacto direitista União pelo Chile.
A vitória do socialista Lagos põe fim a dez anos de hegemonia política da Democracia Cristã no país. Desde a vitória do plebiscito de 1988, o Acordo de Partidos para a Democracia, vitoriosa aliança de centro-esquerda, que terminou com 16 anos e meio de regime militar, sempre esteve liderada por um democrata-cristão.
Ao reconhecer a derrota, Zaldivar fez um discurso parabenizando Lagos e pedindo a união dos partidos que formam a coalizão. A Democracia-Cristã tem feito muito pelo Chile, porém, ainda tem muito a fazer e deve fazê-lo dentro da Concertação, em uma aliança leal, afirmou. Na disputa pela presidência do Chile (a eleição está marcada para 12 de dezembro), Ricardo Lagos enfrentará o economista Joaquim Lavin, 37 anos, candidato da oposição - de direita.
Os dirigentes do PDC, liderados pelo presidente, Enrique Krauss, renunciaram ontem. Motivo: a esmagadora derrota de Andrés Zaldívar diante de Ricardo Lagos. Votaram 1,4 milhão de chilenos e Lagos ficou com 71,34% dos votos contra 28,66% dados a Zaldívar. Analistas dizem que a renúncia é o primeiro efeito da vitória esmagadora do socialista Lagos.
Krauss explicou que com a renúncia a direção assumia a responsabilidade do fracasso nas urnas. Junto com Krauss saíram Adolfo Zaldívar, irmão de Andrés, Rafael Moreno e Silvia Correa. A presidência foi assumida provisoriamente pelo deputado Roberto León.
Em seu primeiro discurso como candidato oficial da frente Acordo de Partidos para a Democracia para as eleições presidenciais de dezembro próximo, Lagos pediu aos empresários que invistam para reativar o país. Ele fez as declarações após ser recebido pelo presidente chileno Eduardo Frei, que o parabenizou pela vitória. O encontro dos dois durou 40 minutos.


