Como os 116 marinheiros que se encontram a bordo do Kurks, o submarino russo que afundou a cerca de 150 metros de profundidade no mar de Barents, Chayim Sheynin sabe o que significa estar preso debaixo da água em um submarino.
Quando era um cadete de 22 anos da marinha soviética, Sheynin, agora um chefe da biblioteca do Gratz College da Filadélfia, Pensilvânia (leste), entrou no submarino Projeto 613 para passar vários meses de treinamento no mar na primavera de 1960.
Enquanto a embarcação viajava sob as ondas do mar de Barents – entre a península de Kolskij e Novaja Zemla – um torpedo explodiu em seu tubo de lançamento, enviando o submarino ao fundo do mar, a 270 metros de profundidade.
‘‘Houve um barulho terrível. Toda a embarcação é metálica, assim o barulho se sente terrivelmente’’, disse. Só 14 dos 56 tripulantes a bordo submarino sobreviveram, acrescentou.
Sheynin e seus companheiros se vestiram com trajes de proteção de pele de camelo, colocaram máscaras de oxigênio e se prepararam para escapar através de um tubo de torpedo vazio na popa.
Os 14 homens entraram, um por um, no tubo de lançamento. Ao fechar a comporta atrás deles, o tubo foi deliberadamente inundado. Enquanto Sheynin aguardava a ordem para abrir a comporta externa recebeu o violento ingresso da água gelada que atingiria seu corpo no compartimento.
Uma vez que o primeiro homem saiu para as águas geladas, liberou-se uma longa corda que foi impulsionada para a superfície. Todos subiram então pela corda.
‘‘Desde essa profundidade, a subida demorou três horas, ’’, disse Sheynin. Sheynin foi resgatado pelos barcos soviéticos que treinavam na área e passou o ano seguinte se recuperando em um hospital naval.
A notícia também trouxe lembranças angustiantes para Dan Persico, que enfrentou uma situação semelhante. ‘‘Trouxe-me de volta instantaneamente memórias desconfortáveis’’, disse Persico, hoje com 82 anos, um dos sobreviventes do USS Squalus, que naufragou a 21 quilômetros da costa de New Hampshire em 1939.
Persico foi um dos 33 sobreviventes da tragédia americana. Hoje, apenas seis continuam vivos. Vinte e seis tripulantes morreram quando o submarino afundou em um teste.
Ontem, ele e vários outros sobreviventes tinham poucas esperanças de que os marinheiros russos naufragados se salvem. ‘‘Eu diria que esses garotos estão em sérios problemas’’, expressou Gerald McLee, 85 anos.

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