Sobrevivente diz que 'chovia fogo'
''Chovia fogo quando eu estava no caixa, acabando de pagar as contas'', contou um dos sobreviventes do incêndio. ''Por um milagre, saí antes que fechassem as portas. Depois, ninguém mais conseguiu escapar'', denunciou Juan Morínigo, um estudante de 23 anos. ''Eu estava no setor de alimentação. Havia muita gente no local. Saí correndo'', lembrou, ainda emocionado.
Na hora da tragédia, entre 500 e 700 pessoas estavam no supermercado, localizado no populoso bairro de Trinidad e que mais parecia um hipermercado ou shopping center. Muitas delas, incluindo crianças e idosos, morreram carbonizadas ou asfixiadas.
Rosa Resquín, uma sobrevivente, contou, soluçando, que os responsáveis pelo local ordenaram que as portas fossem fechadas, para que ninguém saísse. ''Fechem, fechem! Ninguém sai daqui sem pagar!'', disse ter escutado. Segundo ela, a ordem foi dada pouco depois de uma grande explosão, que foi seguida de outras duas.
O cenário tornou-se dramático, com pessoas correndo, aterrorizadas. O teto pegou fogo, desabou, e o incêndio se espalhou por quase todo o supermercado. ''Fecharam a porta na nossa cara'', disse Patricia Benítez, de 17 anos, que sofreu queimaduras de segundo grau e está internada. ''Do lado de fora, quebraram a porta de saída (de vidro) e foi então que conseguimos escapar'', contou.
Patricia salvou Giovanna Duarte, de 2 anos, filha de sua prima. Esta última teve queimaduras graves e também está internada. ''Estávamos no setor de alimentação quando houve a explosão. Giovanna estava brincando no parquinho. Foi quando a segurei e corri para a saída'', contou Patricia, entre lágrimas. (AFP)





