Sobrevivente conta odisséia no mar
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
France Presse 
Kuala Lumpur O indonésio Ari Afrizal, arrastado para alto mar pela tsunami, relatou sua extraordinária odisséia de duas semanas em uma espécie de cabana flutuante no Oceano Índico.
Na segunda-feira, quando um navio cargueiro se deparou com a estranha construção sobre uma espécie de balsa de bambu a 200 milhas naúticas (370 km) da ilha de Sumatra, o capitão neozelandês John Kennedy ordenou o toque da sirene, mais por desencargo de consciência. ''Pensei que as possibilidades de encontrar alguém vivo duas semanas depois eram muito pequenas. Para nossa surpresa, apareceu um homem de aspecto frágil'', contou o capitão segunda-feira à noite, ao chegar ao porto malaio de Port Klang.
O protagonista da história, Ari Afrizal, de 22 anos, natural da província de Aceh, a mais devastada pela tragédia, disse que trabalhava na construção de uma casa perto da capital regional de Banda Aceh, quando a tsunami arrasou a região. ''Deixei todos e comecei a correr para uma colina. Olhei para trás sem acreditar nos meus olhos. A onda levava tudo em sua passagem e em poucos segundos me pegou'', disse.
Ele só teve tempo de se agarrar a uma tábua de madeira antes de ser arrastado para o mar. No segundo dia no mar viu uma pequena embarcação virada. Conseguiu endireitar o barco e subir a bordo, apesar dos ferimentos nas pernas.
Com um pouco de água de chuva, se manteve a bordo até a manhã do quinto dia, quando encontrou uma balsa de pesca. ''Nadei até a balsa e subi a bordo. Então percebi que estava vazia''.
Na embarcação ele encontrou água e roupas e se alimentava com os cocos que flutuavam no mar. ''Comecei a ter alucinações. Perdi a esperança de viver'', disse.
Quando já estava há 15 dias no mar, o cargueiro cruzou o caminho da balsa e soou a sirene. O navio deu meia volta e recolheu o náufrago.


