São Paulo - Ao menos 48 pessoas morreram e 121 ficaram feridas após um ataque de um homem-bomba ontem em Bagdá, na capital iraquiana, no que já está sendo considerado um dos atentados mais violentos do ano no país, a apenas duas semanas da retirada das tropas de combate dos EUA.
O atentado, ocorrido no centro da capital iraquiana, coincide com um momento de crise política e acontece em pleno Ramadã, o mês sagrado do jejum muçulmano, caracterizado há alguns anos pelo aumento da violência. A Chancelaria da França afirmou que o atentado de hoje busca desanimar o povo iraquiano ''comprometido com a recuperação do país''.
''Ao atacar soldados e recrutas do Exército, os terroristas têm como alvo os instrumentos de soberania iraquianos'', declarou Bernard Kouchner, chanceler francês.
Kouchner condenou ''com a maior firmeza o vil atentado'' e reiterou o ''pleno apoio da França às autoridades e ao povo iraquiano em sua determinada luta contra o terrorismo e em sua mobilização a favor do Estado de direito''.
Às 7h30 locais (1h30 de Brasília), um homem-bomba detonou os explosivos em sua roupa no meio dos recrutas diante do antigo edifício do Ministério da Defesa, atual sede do comando das forças de segurança, no bairro de Bab al Muazam, no centro de Bagdá.
Entre as vítimas também estão soldados que faziam a segurança do local, de acordo com fontes do Ministério do Interior. ''Não sei como o homem-bomba conseguiu entrar, porque teve que passar por um controle eletrônico e uma revista corporal. Teve que se esconder desde ontem à noite'', disse Ahmed Kazem, 19 anos, um recruta que escapou ileso do ataque.
Segundo Kazem, a semana de recrutamento estava prestes a acabar e a movimentação era intensa no local. Os recrutas estavam reunidos na praça Midan, uma área controlada pelo exército. ''Depois da explosão, todo mundo fugiu em todas as direções e os soldados atiraram para o alto. Vi pessoas no chão, com o corpo queimado ou sangrando'', completou.
O porta-voz da área de segurança de Bagdá, major-general Qassim al Moussawi, disse que restos do corpo do homem-bomba foram encontrados. ''Sua fisionomia sugere que ele não é iraquiano. Nós estamos conduzindo uma investigação, mas as impressões digitais serão óbvias nesta explosão'', disse.

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