Sobe para 23 número de mortos no Japão
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domingo, 24 de outubro de 2004
France Presse 
Tóquio - Apenas recuperado de um tufão devastador, o Japão foi abalado neste final de semana por um terremoto de 6,8 graus na escala Richter que atingiu o centro do país, causando 23 mortos, e mais de mil feridos - o número mais pesado desde o terrível tremor de Kobé em 1995, declarou a polícia ontem. As vítimas se somam às do tufão Tokage, o mais mortífero dos últimos 15 anos, deixando 91 mortos e desaparecidos, e que acaba de varrer o arquipélago, demonstrando novamente a vulnerabilidade da segunda economia mundial às catástrofes naturais.
Em relação ao terremoto, a rede pública de TV NHK e a agência de notícias Kyodo, por sua vez, falam em 1.400 e 1.500 feridos, respectivamente. Entre os mortos estão três crianças tiradas dos escombros, uma delas um bebê, e vários anciãos que foram vítimas de crises cardíacas durante o tremor, seguido de muitas réplicas. Sábado, pela primeira vez, um trem-bala descarrilou no Japão, mas não houve vítimas entre os 150 passageiros.
Mais de 240 réplicas seguiram o principal terremoto de sábado, com epicentro perto de Niigata, grande porto do Mar do Japão, 250 km ao norte de Tóquio. Seis delas foram bem fortes e a maior chegou a 6,3 graus na escala Richter.
Mais duas réplicas de 4,9 e 4,6 graus Richter aconteceram ontem à tarde, hora local, numa das regiões mais afetadas pelos tremores, Ojiya, próxima a Niigata, sem causar vítimas ou danos importantes. Cerca de 60 mil habitantes tiveram que deixar suas casas e 173 mil domicílios ficaram sem energia elétrica na região.
Em Ojiya, o tremor de sábado virou veículos, derrubou casas e causou rachaduras nas estradas. Vestidos com farrapos, alguns moradores se reuniam ao redor do fogo em abrigos municipais.
Me escondi rapidamente embaixo da mesa e começou a cair tudo das paredes. O chão estava cheio de tigelas e pratos, disse uma mulher de 50 anos. Saí correndo de casa e quando olhei para os edifícios, estavam balançando como se fossem gelatina, comentou um jovem de Mitsuke. O primeiro tremor e as réplicas não foram muito profundos, entre 10 e 2 km (sob a terra). Por isso, as pessoas que vivem mais acima sentiram fortes tremores, explicou um especialista.
O Ministério da Defesa japonês formou um grupo de emergência e mobilizou 230 homens e 11 aviões para avaliar os danos e atender às vítimas. No final de semana passado, dois tremores, um de 5,6 graus na escala Richter, também sacudiram Tóquio e arredores, sem fazer vítimas ou causar prejuízos materiais.
O Japão está sobre quatro placas tectônicas, com milhares de movimentos por ano, e sua capital pode ser afetada por um grande terremoto a qualquer momento. O pior tremor registrado no país nos últimos anos foi de 7,2 graus na escala Richter, em Kobe (sudoeste), em janeiro de 1995, responsável pela morte de seis mil pessoas.


