Sob segurança, Bento XVI chega hoje à Turquia
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Folhapress 
São Paulo- O Papa Bento XVI chega hoje à Turquia para uma visita de quatro dias - a primeira que faz a um país de maioria muçulmana -, no que deve ser uma das viagens mais delicadas de seu pontificado.
Ele terá de enfrentar não só a fúria causada pelo fato de ter citado comentários negativos sobre o islã mas também o desagrado pelas declarações contra a entrada do país na União Européia.
Originalmente, a visita tinha como meta principal o estreitamento dos laços com a Igreja Ortodoxa - o ponto alto seria o encontro com seu líder, Bartolomeu I. Mas as reações intensas ao discurso do Papa e a intenção turca de entrar na UE deram novo contorno à viagem.
A chegada de Bento XVI gera desconforto político. O premiê Recep Tayyip Erdogan, muçulmano, chegou a anunciar que não o encontraria, devido à cúpula da Otan (aliança militar ocidental) na Letônia. Somente na sexta-feira foi anunciado um rápido encontro no aeroporto.
Com eleições gerais no ano que vem, muitos políticos temem ser fotografados com o Papa. Ontem, 25 mil pessoas foram às ruas de Istambul protestar contra a visita. No mesmo dia, o Papa disse estar indo como ''amigo dos turcos''.
O principal motivo do protesto foram declarações feitas em setembro. Na ocasião, o papa enfureceu muçulmanos ao citar críticas a Maomé feitas por um imperador. Posteriormente, disse ''sentir muito'', mas muitos esperam um pedido de desculpas mais enfático.
Outra declaração controversa do Papa diz respeito à possível entrada da Turquia na UE. Em 2004, ainda cardeal, Bento XVI afirmou que a adesão seria ''um erro'', porque o país tinha como base o islã, e ''as raízes da Europa são as do cristianismo''.
A visita vai mobilizar um esquema de segurança inédito. Serão adotadas medidas mais rígidas do que quando o presidente americano, George W. Bush, foi ao país. Segundo jornais locais, 3 mil policiais foram mobilizados. Atiradores ficarão no alto de prédios, e veículos blindados estarão nas ruas. O papamóvel não será utilizado - Bento XVI só andará em carro fechado. O turco Mehmet Ali Agca, que tentou matar João Paulo II em 1981 e está preso no país, tentou obter um encontro com Bento XVI.


