Santa Cruz de La Sierra- Governos e os principais comércios e empresas de seis departamentos (Estados) da Bolívia pararam ontem em protesto contra o presidente Evo Morales. A greve ocorreu em meio ao agravamento da crise política no país, causado pela aprovação, de madrugada, de medida que permite à Assembléia Constituinte deliberar em qualquer ponto do país. A medida visa driblar a resistência da cidade de Sucre, sede da Constituinte, à nova Carta proposta pelos governistas.
Liderados por Santa Cruz, departamento responsável por 35% do PIB boliviano, por Tarija, principal centro da produção de gás, e Cochambaba, dona da terceira maior cidade da Bolívia, também fizeram greve os mais pobres Chuquisaca, Pando e Beni (em todos juntos, vive 59% da população boliviana).
Foi a terceira greve ''cívica'' do ano, convocada pelos dirigentes da oposição conservadora nas regiões e pelos comitês cívicos, entidades que reúnem a elite econômica dos departamentos do leste.
As grandes cidades dos departamentos pararam. As ruas do núcleo urbano de Santa Cruz, capital do departamento de mesmo nome, respondendo a uma espécie de toque de recolher, estavam praticamente desertas. Nem pequenos comércios funcionaram. A população foi orientada a não sair de casa.
Além de repudiar a violência na cidade de Sucre e desconhecer o texto geral da nova Constituição aprovada pelos governistas, os departamentos querem autonomia em relação a La Paz. Os governos departamentais afirmaram que vão convocar um referendo para que a população ratifique o modelo de descentralização que querem promover -a base é um documento, a ''Carta de Autonomia'', ainda em preparação.

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