Sob o domínio do medo
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sábado, 01 de novembro de 2003
France Presse 
Mossul, Iraque - Dois militares americanos morreram e dois ficaram feridos ontem num ataque em Mossul (norte), enquanto Bagdá estava semiparalisada por causa do medo de novos atentados, seis meses depois do anúncio por parte dos Estados Unidos do fim das principais operações militares no Iraque.
Antes da notícia da morte dos soldados, o Pentágono havia divulgado um balanço de 120 oficiais mortos no Iraque desde o fim da guerra no país, no dia 1º de maio.
O ataque aconteceu num momento em que a capital iraquiana vive com medo de novos atentados, como os que custaram a vida de 43 pessoas e deixaram mais de 200 feridos na última segunda-feira.
Na manhã de ontem, início da semana nos países árabes do Oriente Médio, o trânsito, habitualmente intenso, estava calmo e quase não existiam filas de veículos nos cruzamentos.
Muitas escolas estavam vazias. Por prudência, e em alguns casos por conselho dos diretores dos estabelecimentos, os pais preferiram deixar seus filhos em casa. As repartições públicas trabalhavam com equipes reduzidas. Guardas e policiais iraquianos foram deslocados para as escolas e estabelecimentos públicos da capital. Em várias organizações internacionais, os funcionários locais não compareceram ao trabalho.
Segundo boatos que correram todo o país, muitos panfletos teriam sido distribuídos para advertir sobre importantes atentados e proclamar o 1º de novembro como ''Dia da Resistência'' contra as forças da coalizão.
Na sexta-feira, a cidade de Fallujah, reduto sunita ao oeste de Bagdá, foi palco de uma batalha entre as tropas americanas, atacadas por foguetes RPG, e criminosos armados. Um iraquiano morreu e outro ficou ferido durante um confronto que havia começado um pouco antes entre manifestantes e policiais na cidade. Vários iraquianos e um soldado americano morreram na sexta-feira. Em Abu Gharib, subúrbio oeste da capital, três civis e um policial iraquianos faleceram durante um conflito entre manifestantes, oficiais americanos e a polícia local.
Em Jaldiya, 80 km ao oeste de Bagdá, um soldado americano morreu e quatro ficaram feridos em um ataque com explosivo, informou um porta-voz da coalizão.
O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que não há qualquer prova ligando o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein à onda de atentados contra as tropas americanas no Iraque, como informou o jornal New York Times. Em uma entrevista à rede de televisão ABC, Powell declarou sobre o ex-ditador: ''Não sei o que está fazendo, mas certamente gasta grande parte de seu tempo e sua energia para correr e se esconder''.
Lutar e vencer Deixar o Iraque prematuramente só conseguiria encorajar os terroristas e aumentaria os perigos que pesam sobre os Estados Unidos, afirmou ontem o presidente americano George W. Bush.
''Os Estados Unidos terminarão sua tarefa no Iraque. Deixar o Iraque prematuramente só conseguiria encorajar os terroristas e aumentaria os perigos que pesam sobre os Estados Unidos. Estamos decididos a ficar, lutar e vencer'', declarou Bush em seu programa semanal de rádio.
''Nas últimas décadas, os terroristas acreditaram que se dessem um forte golpe nos Estados Unidos, como no Líbano ou na Somália, os Estados Unidos se retirariam. Há cinco anos, um desses terroristas disse que um ataque poderia afastar os Estados Unidos em 24 horas'', disse o presidente. ''Aprenderam a lição errada'', acrescentou.


