Sob fogo cruzado, Bush resiste
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sábado, 03 de abril de 2004
FRance Presse 
Washington - A sete meses da eleição presidencial, marcada para o dia 2 de novembro, o presidente George W. Bush aparece tecnicamente empatado com seu adversário democrata, John Kerry, nas pesquisas, apesar das críticas sobre sua política de combate ao terrorismo.
As pesquisas mais recentes mostram uma disputa lado a lado entre os dois candidatos, depois de Kerry ter conseguido uma vantagem relativa sobre Bush durante março, beneficiado pelo êxito nas primárias democratas.
A publicação do livro do ex-chefe da luta antiterrorista da Casa Branca, Richard Clarke, que acusa Bush de ter subestimado a ameaça terrorista antes dos atentados de 11 de setembro de 2001, abalou levemente a confiança dos
norte-americanos no presidente sobre esse tema.
Segundo os analistas, o eleitorado já parece muito polarizado entre os partidários de Bush e Kerry.
''As pessoas que apóiam George W. Bush parecem apostar nele apesar do que Richard Clarke disse. Isso parece representativo do que acontecerá no restante do ano'', disse Stephen Hess, analista político da Brookings Institution.
Depois de ter recusado por muito tempo, a Casa Branca aceitou que a conselheira do presidente para a Segurança Nacional, Condoleezza Rice, preste um depoimento público e sob juramento no dia 8 de abril para a comissão independente que investiga os atentados de 11 de setembro.
Porém, de acordo com os especialistas, a situação econômica deve desempenhar um papel decisivo na eleição. Muito maior do que o Iraque ou o combate ao terrorismo.
A divulgação, na sexta-feira, da notícia de que 308 mil novos empregos foram criados em março, dado muito superior às expectativas do mercado, chegou em um bom momento para o presidente republicano, que precisa se defender dos ataques de seu adversário sobre sua política econômica.
John Kerry, que acusa Bush de ter acabado com milhões de empregos e promete criar até 10 milhões de postos de trabalho em quatro anos, nada mais pôde fazer a não ser comemorar o número. Porém, criticou a ausência de criação de empregos na indústria.
A campanha publicitária de televisão do candidato democrata, lançada em 17 estados na sexta-feira para denunciar o fim de empregos nos Estados Unidos não parece ter chegado em um bom momento para Kerry, que considera esse tema uma de suas melhores armas eleitorais.
Por outro lado, a série de anúncios televisivos atacando Kerry, lançados no início de março pela equipe de campanha de Bush em 17 estados considerados cruciais para definir a eleição presidencial, renderam frutos e abalaram a imagem do candidato democrata, segundo fontes da imprensa norte-americana.
Andrew Kohut, diretor do instituto de pesquisas Pwem, citado pelo jornal Washington Post, afirmou que a queda de Kerry nas pesquisas pode ser explicada pelos anúncios de televisão e também por uma presença menos visível do que na época das primárias democratas.
''Apesar de ser uma figura nacional há muito tempo, as pessoas não têm muita convicção a seu respeito'', disse Kohut.
A queda nas pesquisas de intenção de voto aconteceu depois que o candidato democrata interrompeu sua campanha durante alguns dias para fazer uma operação no ombro, na última quarta-feira em Boston, e de ter tirado alguns dias de férias em uma estação de esqui de Idaho.


