Os milhões de pessoas afetadas pela nuvem de fumaça dos incêndios que se estendem da Tailândia para as Filipinas esperam que o céu traga chuvas, único fator capaz de limitar a catástrofe sanitária e ecológica provocada pelos gigantescos incêndios na Indonésia.
A mudança dos ventos esperada está ocorrendo e deverá dispersar ‘‘dentro de pouco tempo’’ a nuvem de fumaça sobre a Indonésia e os países vizinhos, afirmou ontem à AFP Sri Diharto, chefe dos serviços indonésios de meteorologia.
Essa evolução, disse, ‘‘começou há três dias’’ e a fumaça dos incêndios de Sumatra deveria ser arrastada pelos ventos para o oceano Índico, muito longe da Malásia e de Cingapura, e os da ilha de Bornéu para o estreito de Karimata e o mar da China meridional.
Mas nem todo mundo compartilha do otimismo do chefe do serviço meteorológico e os representantes indonésios e estrangeiros de luta contra incêndios florestais estimam que ‘‘não haverá verdadeiras chuvas até dezembro’’.
Segundo eles, as primeiras precipitações, que ocorrem desde o início da semana no norte, não são regulares e não anunciam a chegada da época das chuvas, porque a frente está sendo empurrada para o Norte e não desceu ainda para o Equador devido ao fenômeno climático El Ni¤o que transtorna o clima em escala mundial.
A seca que afeta a Indonésia, a mais dura dos últimos 50 anos, tornou incontroláveis os incêndios tradicionalmente iniciados ao final da estação seca para limpar as áreas de bosque destinadas à exploração e os transformou em uma ‘‘catástrofe internacional’’ que ameaça a saúde de milhões de pessoas.
A comunidade internacional continua mobilizando-se e a Tailândia, depois da Rússia e da Austrália, entre outros países, propôs enviar para a Indonésia aviões e helicópteros-tanque cheios de água.
A equipe do Departamento de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, especializado na coordenação dos socorros e na avaliação dos desastres, recebeu ontem o reforço de três novos especialistas.
Um deles, Richard Wien-Hzebrouch, informou que um grupo iria de avião para Irian Jaya, onde cerca de 300 pessoas, segundo as autoridades, morreram por desnutrição e problemas digestivos.
Ameaça na Cingapura Um comunicado do Ministério do Trabalho de Cingapura advertiu ontem que se a contaminação atmosférica, causada pelos incêndios florestais na Indonésia, piorar, todas as atividades ao ar livre deverão ser suspensas, com exceção das emergências e serviços essenciais.
A nuvem tóxica que cobre o Sudeste Asiático soma-se à crise monetária e aos altos e baixos do mercado da região. ‘‘Posso ver a economia da região descender substancialmente em consequência da fumaça’’, disse Bruce Gale, da Consultoria de Riscos Econômicos e Políticos de Cingapura. ‘‘Isso junto com as perdas registradas na produção agrícola, os altos preços dos alimentos e os recentes problemas sofridos pelo setor financeiro são fatores que ajudarão a aumentar a inflação.’’
Na Malásia, bombeiros conseguiram controlar o incêndio que consumia há três dias uma floresta no Estado de Pahan, a 200 quilômetros da capital, Kuala Lumpur.

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