Os Estados Unidos estão ''muito preocupados'' com as atividades de terroristas em potencial na zona conhecida como ''fronteira tripla'', entre o Brasil, Argentina e Paraguai, disse ontem o coordenador contra o Terrorismo do Departamento de Estado, Francis Taylor.
''Estamos muito preocupados com os extremistas que estão operando na área da fronteira tripla, e queremos trabalhar com esses governos para identificar esses indivíduos e acabar com suas atividades'', disse Taylor à imprensa na sede da Organização de Estados Americanos (OEA).
Taylor falou com os jornalistas depois de ter dissertado, a portas fechadas, sobre o desenvolvimento da campanha antiterrorista dos Estados Unidos, numa reunião do Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE).
Islâmicos no BrasilO presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, descartou ontem, por intermédio do porta-voz Georges LamaziŠre, a existência de uma suposta investigação específica sobre a comunidade islâmica no País. De acordo com LamaziŠre, o presidente qualificou como inaceitável qualquer tipo de ação preconceituosa em torno de qualquer comunidade religiosa. O porta-voz divulgou tal manifestação do presidente ao comentar notícias sobre uma suposta operação de busca de conexões entre grupos terroristas e a sociedade islâmica existentes em Curitiba, Foz do Iguaçu (PR) e São Paulo, que teria sido conduzida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
A negativa do presidente veio depois da denúncia de um suposto plano do governo brasileiro para espionar a grande comunidade muçulmana do país, qualificado de preconceito pelo xeque Jihad Hassan Hammadeh, representante da Assembléia Mundial da Juventude Islâmica.
''Isso é maldade e preconceito. E o governo brasileiro é o primeiro a dar esse exemplo. A espionagem já indica a existência de preconceito'', declarou o xeque, um dos líderes da comunidade islâmica brasileira, a um jornal paulistano.
O mesmo jornal informou no domingo que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem um plano secreto, criado recentemente, para espionar a comunidade islâmica do Brasil, calculada em aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.

mockup