O líder da extrema direita da Áustria Joerg Haider cumprimentou ontem a coalizão conservadora de Silvio Berlusconi por sua vitória nas eleições italianas. Outros, especialmente da esquerda, se mostraram mais circunspectos.
‘‘Uma horrível situação emergiu na Itália – e na Europa. Forças racistas e intolerantes voltaram novamente ao poder’’, escreveu o jornal sueco Expressen.
Haider, que estava em Milão desfrutando da ópera La Scala, disse que nunca duvidou que Berlusconi retornaria ao poder como vinha buscando desde que seu primeiro governo entrou em colapso em 1994 depois de permanecer apenas sete meses no poder.
A vitória de Berlusconi ocorreu em meio a uma chuva de críticas em todo o continente europeu, com questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse, os casos criminais contra ele e suas escolhas de aliados.
‘‘Berlusconi é um problema, por ser um poderoso magnata das comunicações e um tagarela com tendências totalitárias’’, escreveu o colunista sueco Rolf Gustavsson.
No geral, as reações seguiram orientações políticas, com a esquerda européia expressando preocupação.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, Josep Pique, congratulou o magnata da mídia por sua vitória ao chegar para um encontro de chanceleres em Bruxelas. Já o ministro do Exterior da França, Hubert Vedrine, um socialista, afirmou, em Paris: ‘‘Estamos observando atentamente o que esse governo será e o que fará.’’
Na Alemanha, um porta-voz do ex-comunista Partido do Socialismo Democrático, Wolfgang Gehrcke, disse que a vitória de Berlusconi ‘‘impõe um desafio e um sério peso sobre a democracia e as forças progressistas da Europa’’.
A União Européia impôs sanções contra a Áustria quando o partido de Haider entrou no governo, mas não tem mostrado sinais de que fará o mesmo com a Itália.

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