São Paulo - O chamado do presidente do Quênia, Mwai Kibaki, para um encontro com parlamentares da oposição ontem não foi atendido. Kibaki pretendia reunir os líderes em uma tentativa de apaziguar o país após a morte de 300 pessoas durante os violentos distúrbios pós-eleitorais.
O líder da oposição, Raila Odinga, do Movimento Democrático Laranja, afirmou que só aceitaria mediação internacional. ''Não dialogamos com ladrão. Não estamos interessados em conversar com Kibaki.''
O presidente de Gana e da União Africana, John Kufuor, chamado pelas nações ocidentais para interceder na crise, esperava para conversar com Kibaki antes de partir para o Quênia. Segundo o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, Kufur chegou ao país ontem para reunir-se com Kibaki e Odinga. A Secretária de Estado norte-americana, Condoleeza Rice, também deve conversar com Kibaki.
Odinga convocou para hoje um protesto de massa no país, o que aumenta o temor de que o derramamento de sangue poderia ficar ainda pior. De acordo com grupos humanitários, a onda de violência deixou também 100 mil pessoas desabrigadas.
O governo do Quênia acusou o partido de Odinga, ontem, de praticar um genocídio no país. ''Está ficando claro que esses atos de genocídio e limpeza étnica no Quênia foram planejados, financiados e ensaiados pelos líderes do Movimento Democrático Laranja antes das eleições'', afirma comunicado do ministro Kivutha Kibwana.
Os apoiadores de Odinga, porém, lançam as mesmas acusações ao governo do presidente Mwai Kibaki. A onda de violência se agravou no último domingo, quando a Comissão Eleitoral do Quênia declarou Kibaki vencedor das eleições. A oposição alega que mais de 1 milhão de votos foram fraudados.

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