Situação em Kosovo é grave, diz a ONU
Associated Press
A agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) passou ontem uma péssima avaliação da vida em Kosovo, dizendo que grande parte da água está contaminada, as instalações de saúde estavam destruídas e alguns alimentos estavam ficando escassos.
A comunidade internacional e o povo de Kosovo ainda enfrentam uma séria ameaça humanitária, informou o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) na primeira pesquisa de compreensão das necessidades humanitárias na província.
A pesquisa do Acnur em 141 vilarejos de Kosovo foi descrita como a primeira observação compreensiva sobre as necessidades humanitárias da província, onde os esforços para alívio da situação foram complicados pelo inesperado retorno rápido de mais de 600 mil dos 860 mil refugiados, a maioria albaneses étnicos, que fugiram para Albânia e Macedônia.
Esperanças de que a situação humanitária não seja tão grave como se temia inicialmente parecem ser otimistas demais, concluiu o Acnur em seu relatório baseado na pesquisa realizada em 141 vilarejos.
O estudo informa que 40% do abastecimento de água é de péssima qualidade, poluída por diversos materiais, inclusive cadáveres humanos e animais. Apenas 12% das instalações de saúde existentes antes dos bombardeios da Otan ainda existem e 60% das escolas foram danificadas ou destruídas, informou o Acnur.
A comida está parcamente disponível em 7% dos vilarejos, frutas em 18% e trigo em 35%.
Segundo a agência humanitária, a guerra e a perseguição dos sérvios aos albaneses étnicos causaram sérios danos à agricultura na província. O relatório estima que a colheita de trigo seja reduzida à metade e as plantações de milho renderão apenas 10% do que rendia normalmente.
A Cruz Vermelha Internacional alertou aos governos ontem para que não percam de vista as necessidades humanitárias de Sérvia e Montenegro, as duas únicas repúblicas restantes na federação iugoslava.
O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e outros líderes mundiais prometeram não financiar a reconstrução da Sérvia enquanto Slobodan Milosevic permanecer no poder, apesar de terem dito que apoiariam ajudas humanitárias.
Nós devemos lutar contra a tendência de se satanizar grupos inteiros de pessoas, disse Astrid Heiberg, presidente da Federação Internacional de Cruz Vermelha, após visitar a Iugoslávia.
Ela disse que enquanto apreciava compromissos para ajudar refugiados de Kosovo, estava gravemente preocupada de que a assistência não seja tão generosa para as operações humanitárias na Sérvia e em Montenegro.





