France Presse
De La Paz
Pelo menos 17 estudantes ficaram feridos, um gravemente, nos confrontos entre manifestantes e a polícia ontem à tarde, nas imediações da universidade de San Andrés, no centro de La Paz, informou o médico do ambulatório universitário, Antonio Miranda.
O estudante que ficou ferido gravemente foi atingido por um cartucho de gás lacrimógeno no rosto e perdeu oito dentes, explicou Miranda. Os outros feridos sofreram politraumatismos, policontusões e asfixia por gases, relatou o médico, enquanto uma aluna sofreu um corte sob o joelho.
No segundo dia de enfrentamentos entre estudantes e policiais em La Paz, o número de feridos subiu para 38, dois deles em estado grave. O Congresso da Bolívia ratificou na madrugada de ontem o estado de sítio decretado pelo Governo no último sábado em resposta ao clima de agitação social no país.
Os ministros do presidente Hugo Bánzer justificaram a medida dizendo ser necessária para manter a estabilidade democrática e ‘‘impor o princípio de autoridade do Estado’’.
Em meio ao caloroso debate, o deputado do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR, de oposição) Carlos Sánchez Berzaín e o senador do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR, de situação) Leopoldo López estiveram a ponto de protagonizar uma verdadeira luta, como mostraram as imagens do canal público que transmitiu a sessão ao vivo.
O estado de sítio já deixou seis mortos e 74 feridos. Noventa e duas pessoas foram detidas, cerca de 20 das quais estão em uma inóspita região do Nordeste boliviano.
Militares de baixa patente das Forças Armadas da Bolívia advertiram ao governo que se rebelarão se não tiverem o soldo aumentado, informam ontem quatro jornais de La Paz. Os militares pedem uma distribuição equitativa de um pagamento extra que ‘‘só beneficia os de alta patente)’ e sua ampliação a músicos, técnicos e pessoal civil das Forças Armadas.

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