Situação é crítica em Serra Leoa
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
France Presse De Freetown 
A guerra em Serra Leoa, o problema dos desabrigados e a proximidade da semeadura e da estação chuvosa, que sempre acarreta doenças, requerem um aumento urgente da ajuda ao país, segundo as organizações humanitárias em Freetown.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas informou sobre o
deslocamento de civis para o Oeste do país, nas últimas duas semanas.
Com a estação chuvosa, os casos de malária se multiplicam, segundo os médicos. Uma epidemia de diarréia foi registrada em novembro passado, na região de Kenema (Sudeste), disse à AFP Jean-Michel Piedagnel, responsável da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo ele, mais de 100 casos da doença, cuja taxa de mortalidade é muito alta, estão sendo tratados atualmente.
A estrutura sanitária do país é catastrófica, pior que a da Libéria após a guerra, informou a MSF, que administra a parte cirúrgica do hospital Connaught. No hospital, foi tratada a maioria das vítimas das amputações causadas pela guerra civil.
A MSF também é reponsável pelo acampamento dos amputados de Murray Town, no Oeste da capital, onde vivem cerca de 180 mutilados. O sistema de saúde pública foi privatizado de fato em Serra Leoa, devido à falta de pagamento do salário dos funcionários ou ao salário muito baixo.
O pagamento mensal de uma enfermeira dá para comprar apenas um saco de 50 quilos de arroz (18 dólares). Atualmente, as enfermeiras de Freetown estão em greve.
O Estado carece de remédios e apenas os ricos podem receber assistência sanitária, opinaram fontes sanitárias. Muitos doentes morrem em casa, por não poder pagar um médico, nem os medicamentos.


