Situação de Clinton se complica sem apoio de democratas
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de setembro de 1998
Agência Estado 
Em mais um sério golpe para a estratégia do presidente Bill Clinton para sobreviver ao escândalo sexual que ameaça sua permanência na Casa Branca, o veterano senador democrata Daniel Patrick Moynihan, de Nova York, um dos homens públicos mais respeitados dos Estados Unidos, afirmou ontem que o falso testemunho Clinton deu em dezembro numa ação civil por assédio sexual é motivo suficiente para a instalação de um processo de impeachment.
O governador do estado de Maryland, Parris Glendening, que disputa a reeleição, decidiu que ser visto em público com Clinton, de quem é político próximo, tornou-se um risco demasiado. Glendening havia saído em defesa do presidente no início do escândalo Lewinsky, anunciou que não comparacerá a um evento de levantamento de fundos com o presidente, amanhã, em Washington.
As duas deserções vieram apenas três dias depois do discurso devastador que o senador Joseph Lieberman, democrata de Connecticut fez no plenário, no qual classificou o comportamento do presidente de imoral, vergonhoso e danoso e merecedor de punição.
Se a fala de Lieberman abriu o caminho para outros democratas dizerem o que realmente pensam de Clinton, o gesto de Glendening confirmou o risco de o presidente ser abandonado por seu partido.
A intervenção de Moynihan, ontem, no programa Esta Semana, da rede ABC, expôs a precariedade da posição do presidente, pois tirou o impeachment da situação do apenas possível e o transformou em algo inevitável.
A Constituição prevê que, se a Comissão de Justiça da Câmara instaurar o processo de impeachment, caberá ao Senado julgar os méritos da acusação, num ritual especial comandado pelo presidente da Suprema Corte. Os 36 membros da Comissão de Justiça aguardam o relatório do promotor especial Kenneth Starr, esperado para as próximas duas semanas, para iniciar sua parte da tarefa.
Ex-professor de direito constitucional em Harvard e ex-embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, o senador de Nova York disse que os norte-americanos não devem temer o trauma de um processo de impeachment.


