Porto Príncipe - Nem a chegada de centenas de tropas americanas, canadenses e francesas, nem o regresso dos rebeldes a Porto Príncipe serviram para apaziguar o Haiti e proporcionar a transição política depois da partida do presidente Jean Bertrand Aristide para o exílio. O toque de recolher decretado entre as 18 horas e 6 horas voltou a ser aplicado, mas disparos ainda eram ouvidos e vários incêndios foram registrados em zonas distintas da capital. No sul do país ocorreram saques.
A periferia norte de Porto Príncipe continuou sendo cenário de saques e ataques de bandos armados leais a Aristide, que se exilou na República Centro-africana. A polícia, cujos efetivos são insuficientes, tentou em vão restabelecer a ordem. As tropas americanas e francesas limitam-se, no momento, a assegurar pontos estratégicos como o aeroporto e a sede da presidência. A ONU, no entanto, começou a processar sua decisão de enviar uma força de paz.
As forças estrangeiras, que estão à espera de reforços, assistiram à entrada triunfal dos rebeldes tendo à frente Guy Phillipe, o líder que, em 5 de fevereiro, se alçou em armas contra Aristide e, com seus homens, chegou a controlar metade do país.
Por sua parte, o presidente interino Boniface Alexandre tem mantido silêncio. A oposição política, surpreendida pela partida de Aristide, está examinando suas posições e propostas para a formação de um governo transitório de união nacional, depois de ter se oposto à insurreição armada.
Alguns líderes opositores querem dar a Phillipe um papel destacado, mas outros estão reticentes devido à reputação do líder rebelde, que é acusado de tramar tentativas de golpe de Estado e que, entre seus homens, conta com Louis Jodel Chamblain, um paramilitar do ditador Raoul Cedras (1991-1994).
A incerteza sobre o novo rumo político haitiano se soma à polêmica sobre as circunstâncias da renúncia e partida para exílio de Artistide. O ex-presidente disse ter sido sequestrado e obrigado a renunciar em um golpe de Estado orquestrado pelos Estados Unidos, o que foi negado categoricamente pela administração de George W. Bush. As Nações Unidas também negam o golpe.

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