Cairo - O ex-comandante do Exército egípcio Abdel Fatah al-Sissi venceu a eleição presidencial com 96% dos votos, segundo resultados provisórios, o que legitima o poder das Forças Armadas no país, onze meses depois da destituição do único presidente civil da história do Egito, o islamita Mohamed Morsi.
A vitória era mais que esperada em um país no qual as vozes dissidentes foram reprimidas e os opositores são julgados e detidos. Mas a votação registrou um índice de abstenção superior a 50%.
Os partidários do deposto Morsi foram as primeiras vítimas da repressão implacável comandada por Sissi, que deixou mais de 1,4 mil mortos e quase 15 mil detidos. Agora os alvos das forças de segurança e da justiça são os jovens progressistas.
Três anos depois da revolução que derrubou Hosni Mubarak, também militar, como todos os presidentes egípcios desde a queda da monarquia em 1952, os ativistas dos direitos humanos acusam as autoridades de terem instaurado, desde julho de 2013, um regime ainda mais autoritário que o de Mubarak.
O resultado do marechal na reserva devolve o país "a uma configuração que não se esperava depois das revoluções árabes de 2011", afirma Karim Bitar, diretor de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas.
"Poucas pessoas poderiam imaginar depois da queda de Mubarak que, três anos mais tarde, um novo marechal seria eleito com 96% dos votos, sem ter feito campanha ou ter apresentado um programa eleitoral", completa o analista.
O que provoca questionamentos sobre o resultado é o impressionante índice de abstenção e o fato de as autoridades terem adicionado um terceiro dia de votações para aumentar a taxa de participação.
Após a medida, um membro da Comissão Eleitoral anunciou ao jornal oficial Al-Ahram que compareceram às urnas "aproximadamente" 25 milhões de eleitores dos 54 milhões de registrados.

mockup