Ansa
De Jerusalém
O governo sírio pediu aos grupos radicais palestinos com base no país que suspendam sua luta armada contra Israel, porque Damasco pretende fazer a paz com o Estado judeu. O chanceler sírio Faruk al-Sharaa declarou ontem que ‘‘em poucas semanas’’ seu país poderia conseguir um acordo de paz com Israel. De acordo com al-Sharaa, Damasco poderia convencer o Hizbollah a depor suas armas se Israel retirar seus soldados dos territórios sírio e libanês.
Segundo um integrante do governo, o vice-presidente Abdel-Halim Khaddam reuniu-se no início do mês com funcionários das facções de oposição que integram a Organização de Libertação da Palestina (OLP) ‘‘e disse-lhes que agora eles tinham de abandonar a luta armada, formar partidos políticos e trabalhar em questões sociais’’.
De acordo com a fonte, o pedido da Síria (que controla o Líbano) estendeu-se ao grupo guerrilheiro libanês Hizbollah. ‘‘Ele (Khaddam) foi franco: disse que a luta armada a partir da Síria e do Líbano está acabada e eles terão de confinar seu papel à política.’’
Um porta-voz da chamada ‘‘aliança palestina’’ (formada por oito grupos contrários ao acordo de paz palestino-israelense de 1993), Fadhl Sharouro, apressou-se em desmentir a versão: ‘‘Essa notícia é totalmente incorreta, a Síria não nos pediu que depuséssemos as armas.’’ Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, afirmou que, ‘‘se for verdadeira, a notícia é bem-vinda’’. A frente rejeicionista palestina inclui facções marxistas, nacionalistas e integristas muçulmanas, como o Hamas, a Jihad Islâmica, a Frente Patriótica de Libertação da Palestina e a Frente Democrática de Libertação da Palestina.
O governo do presidente sírio, Hafez Assad, tem enviado sinais de que deseja retomar as negociações com Israel, suspensas há três anos, desde que o novo primeiro-ministro israelense Ehud Barak foi eleito, em maio. O trabalhista Barak já indicou estar disposto a devolver grande parte das Colinas do Golan (ocupadas por Israel em 1967) à Síria em troca da paz total.
Ainda ontem, em visita a Washington, Barak e Bill Clinton decidiram reunir-se a cada quatro meses para tentar completar acordos de paz com os árabes antes do fim do mandato do presidente norte-americano, daqui a 18 meses. Tropas israelenses na Cisjordânia já iniciaram os preparativos para desocupar mais uma parte do território, embora ainda não haja data definida para isso.

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