Síria procura o caminho diplomático
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 2003
Henri Mamarbachi<br>France Presse 
Damasco Ameaçada por sanções americanas, rodeada de países aliados dos Estados Unidos e militarmente fraca, a Síria escolheu o caminho da diplomacia para responder ao ataque israelense de domingo no seu território, o primeiro em três décadas. No entanto, o recurso da Síria ante o Conselho de Segurança da ONU enfrenta a relutância dos Estados Unidos em aprovar uma resolução que condene ''a agressão israelense''.
Um funcionário sírio manifestou ontem seu desejo de que os Estados Unidos denunciem ''a agressão, para mostrar sua adesão à paz e à estabilidade na região''. A Síria pediu domingo ao Conselho de Segurança, reunido em caráter de urgência por sua solicitação, que condene ''a agressão militar de Israel''.
O embaixador dos Estados Unidos, John Negroponte, respondeu que seu país não considera necessária ''outra resolução sobre o Oriente Médio'', e criticou duramente Damasco por estar ''do lado equivocado na luta contra o terrorismo''.
Como membro não permanente do Conselho de Segurança, a Síria apresentou há duas semanas em nome do grupo árabe um texto condenando a decisão israelense de expulsar o presidente da Autoridade Palestina (ANP), Yasser Arafat. O projeto de resolução foi vetado pelos Estados Unidos.
Segundo fontes em Damasco, o atual pedido da Síria servirá pelo menos para demonstrar que a comunidade internacional não se solidariza com os Estados Unidos.
A Síria, que conta com o apoio dos países árabes e europeus, enfrenta a ameaça de sanções americanas, debatidas neste momento pelo Congresso. Tais sanções, se aprovadas, representariam um duro golpe para a Síria, mas não seriam bem recebidas pelos europeus e pelos árabes.
Tiroteios e morte Soldados israelenses posicionados na fronteira com o Líbano responderam ontem a disparos procedentes do território libanês. Segundo os serviços de segurança libaneses, os disparos isolados procederam de um veículo que passou junto ao alambrado que marca a fronteira e visaram uma patrulha israelense que fazia o mesmo percurso do lado oposto, à altura das localidades libanesas de Aadayse e Kfarkila.
Notícias divulgadas em Jerusalém informam que um soldado israelense morreu ontem à tarde, após ser atingido por disparos procedentes do Líbano.
Posição de Bush O subdiretor do ministério israelense das Relações Exteriores, Gideón Meir, parabenizou ontem o presidente americano, George W. Bush, que afirmou que Israel ''tem o direito de se defender'', após um bombardeio aéreo do estado hebreu em território sírio.
''Comemoramos esta declaração sobre nossos direitos e em nossa defesa e, de modo geral, pela posição norte-americana no Conselho de Segurança da ONU'', declarou Meir à AFP.
''Disse claramente que Israel tem direito a se defender'', declarou Bush, referindo-se a uma conversa por telefone com o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, após o atentado cometido sábado em Haifa e que deixou 19 mortos.


