Associated Press
De Washington
Em uma significativa concessão, a Síria concordou em ter ‘‘relações amigáveis e de boa vizinhança’’ com Israel – incluindo fronteiras abertas, relações diplomáticas completas e acordos de comércio, turismo e transportes – caso os dois países cheguem a um tratado de paz.
É o que revela um esboço de sete páginas redigido pelos Estados Unidos na semana passada, durante as negociações sírio-israelenses perto de Washington.
O texto – que mostra áreas de consenso e de disputa (pelo menos na visão dos EUA) e foi descrito por funcionários norte-americanos como possível primeiro esboço para um acordo de paz – seria supostamente secreto, mas foi divulgado quinta-feira pelo jornal israelense ‘‘Haaretz’’.
O texto também assinala que o governo israelense pretende manter colonos judeus nas Colinas do Golan (ocupadas pelo Estado judeu na Guerra dos Seis Dias, de 1967) mesmo após sua eventual devolução à Síria. Segundo o esboço, Israel quer prolongar a retirada de suas tropas do Golan por mais de três anos. Mas Damasco exige a desocupação total – de militares e colonos – em 18 meses.
‘‘Israel deve aceitar a retirada de suas forças e dos colonos do Golan para as fronteiras de 1967 se quiser um acordo de paz com a Síria’’, insistiu ontem o diretor-geral da agência oficial síria Sana, Fayez al-Sayegh, comentando a informação do documento.
Embora não haja mudança na percepção de que Israel terá de desocupar pelo menos a maior parte do Golan em troca da paz, o vazamento do esboço parece auxiliar os esforços do primeiro-ministro Ehud Barak para convencer o público israelense de que seu governo não se está ‘‘vendendo’’. Entre as concessões sírias mencionadas no texto está a oferta de permitir que Israel tenha um posto de observação no Golan após sua devolução.
O esboço de documento deixa claro que os dois lados ainda têm muitas questões-chave por resolver, como o traçado da fronteira, os arranjos de segurança e a divisão dos recursos hídricos. A próxima rodada de conversações nos EUA começará quarta-feira.
Em entrevista ontem ao jornal ‘‘Maariv’’, Barak, que tem negociado com o chanceler sírio, Faruq al-Shara, disse que se pode avançar nesse nível. Mas ressaltou que, se Damasco quiser fechar um tratado de paz, o presidente sírio, Hafez Assad, terá de deixar de lado sua recusa em reunir-se com ele.Projeto de acordo supostamente secreto prevê concessão síria: Damasco teria concordado com relações amigáveis e de boa vizinhança com Israel
France PresseDois soldados israelenses durante treinamento quarta-feira no Monte Hermon, na estratégica região de Golan

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