Moscou - O regime sírio e seu aliado russo moviam suas peças ontem para impedir uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU ) que possa abrir caminho para um recurso à força contra a Síria. A Rússia acusou os inspetores da ONU de terem ignorado em seu relatório indícios conclusivos que haviam sido fornecidos a eles pelo governo sírio, sobre o ataque químico de 21 de agosto no subúrbio de Damasco.
Apesar do acordo de 14 de setembro, entre os Estados Unidos e a Rússia para destruir o arsenal químico sírio, ambas as partes ainda têm opiniões diferentes sobre o que aconteceu em 21 de agosto e, consequentemente, sobre a inclusão ou não do uso da força em uma nova resolução da ONU sobre a Síria.
Para os EUA e a França, apenas o regime de Bashar al-Assad pode ter realizado o ataque químico, enquanto a Rússia reitera sua crença em um ato de "provocação" orquestrado pelos rebeldes com o objetivo de promover uma intervenção militar internacional no país.
O chefe da equipe de inspetores da ONU, Aake Sellström, afirmou que seu grupo retornará em breve à Síria para investigar as acusações contra o regime e a oposição.Os especialistas da ONU que viajaram à Síria encontraram provas "claras e convincentes" do uso de gás sarin durante o massacre de 21 de agosto perto de Damasco, segundo um relatório oficial.
Ontem, o papa Francisco fez novo apelo à comunidade internacional para que a "tragédia humana" na Síria seja resolvida com o "diálogo e a negociação". O pedido do pontífice foi pronunciado durante a tradicional audiência geral de quarta-feira na praça de São Pedro, diante de 40 mil fiéis. "Penso na querida população da Síria, cuja tragédia humana só pode ser solucionada com o diálogo e a negociação e com o respeito à justiça e dignidade de todas as pessoas, especialmente os mais fracos e indefesos", disse Francisco.

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