Os sírios transformaram ontem seu dia da independência numa espontânea manifestação de massa contra os ataques aéreos israelenses que mataram, segunda-feira, três soldados da Síria servindo em montanhas do Líbano, enquanto companheiros árabes disseram que o Estado judeu está injetando perigosa instabilidade na já volátil região.
O presidente do Egito, Hosni Mubarak, foi especialmente duro, dizendo a repórteres que o ataque contra a Síria o fazia lembrar o clima durante a invasão do Líbano por Israel em 1982 – quando Ariel Sharon, agora primeiro-ministro israelense, era ministro da Defesa.
‘‘Se Israel pensa que pode parar a violência com essa política, estou dizendo que não pode e, ao contrário, irá ser um tiro pela culatra e a violência irá aumentar em todos os lugares’’, afirmou Mubarak depois de se reunir no balneário egípcio de Sharm el-Sheik com o líder palestino Yasser Arafat. ‘‘Peço a Sharon para ser realista porque a política de ataques é inútil e levará a mais violência e todas as pessoas da região, incluindo o povo israelense, irão sofrer ainda mais.’’
Israel tem dito que o ataque – o primeiro no interior do Líbano desde que suas forças se retiraram do sul libanês em maio último e o primeiro contra alvos sírios desde 1996 – era uma advertência à Síria de que Israel não irá tolerar ataques da guerrilha libanesa.
Israel há muito acusa a Síria de encorajar e apoiar as guerrilhas do Hezbollah no Líbano, o principal grupo que lutou contra os 18 anos de ocupação do Líbano por Israel. O Hezbollah tem mantido seus ataques desde a retirada israelense do Líbano em maio, alegando que Israel também tem de sair de uma disputada faixa de território conhecida como Chácaras de Chebaa.

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