Síria conclui 1ª fase da saída das tropas do Líbano
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quinta-feira, 17 de março de 2005
Folhapress 
São Paulo - Militares e funcionários da agência de inteligência da Síria completaram a primeira fase de retirada do Líbano ontem, após uma série de protestos liderados pela oposição libanesa, e a crescente pressão internacional contra os sírios.
A retirada dos soldados começou no dia 8. Entre quatro mil e seis mil militares de um contingente de 14 mil já saíram do Líbano desde a semana passada, e agentes da inteligência síria também fecharam escritórios na capital Beirute. O restante dos militares está alocado no vale do Bekaa, na fronteira sírio-libanesa.
O presidente sírio, Bashar al Assad, afirmou que a retirada vai continuar, mas não estabeleceu uma data para a segunda fase do plano. A Síria mantém soldados no Líbano desde a guerra civil libanesa (1975-1991). Em 1989, autoridades dos dois países assinaram o acordo de Al Taef, que estipulava a retirada dos soldados, que foram enviados ao Líbano para conter o levante armado durante a guerra. O acordo nunca foi cumprido.
A morte do ex-premier Rafik al Hariri (1992-98 e 2000-04) em 14 de fevereiro último, em um atentado na capital Beirute, tornou as relações sírio-libanesas muito tensas. O atentado deslocou a atenção da comunidade internacional sobre a ação da Síria no Líbano.
O assassinato do ex-premiê provocou uma onda de protestos por todo o país, que culminou com a manifestação realizada na última segunda-feira, quando quase um milhão de pessoas tomaram as ruas de Beirute, pedindo esclarecimentos sobre o ataque contra o premiê e a saída síria do Líbano.
Al Hariri havia deixado o governo em outubro do ano passado por discordar da forte influência síria exercida no governo do presidente libanês, Emile Lahoud. Ele é considerado um dos mais importantes políticos libaneses.
A oposição no Líbano acusa a Síria e o governo libanês pela morte de Al Hariri, e exige que os chefes da inteligência libaneses renunciem de seus cargos.


