Inúmeras greves com manifestações de rua. Isso acontece de tempos em tempos. Mas a de ontem na França é especial: os sindicatos uniram-se, o que é raríssimo. Todos eles deram a mesma instrução de greve: comunistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), reformistas da Força Operária (FO) ou da Confederação Francesa e Democrática do Trabalho (CFDT). Todos.
Por que essa unanimidade? Por causa das aposentadorias. E por que as aposentadorias se tornaram o pivô da economia e da política? Porque a medicina fez enormes progressos, porque os homens vivem mais tempo e, no entanto, a idade da aposentadoria continua fixada em 60 anos. Portanto, segundo os demógrafos, a porcentagem dos ‘‘ativos’’ em relação aos ‘‘aposentados’’ ficará totalmente desequilibrada dentro de 10 a 20 anos. Não se poderá mais dispensar somas tão elevadas para pagar aposentadorias aos cada vez mais numerosos velhos e aposentados.
Esse diagnóstico ninguém contesta. Além disso, todos os países desenvolvidos enfrentam a mesma impossibilidade de financiar, no futuro, suas aposentadorias. As complicações não surgem, porém, do diagnóstico, mas da vontade de encontrar uma solução. Na França, o governo admite que é preciso reformar o regime das aposentadorias. Muito bem. Infelizmente, não fez nenhuma proposta.
O patronato, então, pôs as cartas na mesa. Ele se beneficiou da inércia do governo para divulgar suas idéias. Que idéias? Alongar o tempo de trabalho que dá direito a uma aposentadoria plena, ou seja, passar a idade da aposentadoria no setor privado para mais de 60 anos. Isso significa que os assalariados devem contribuir para suas aposentadorias durante um período maior: 45 anos.
Essas idéias são discutíveis. Pelo menos, constituem uma base para discussões com os sindicatos. Infelizmente, o patronato francês é dirigido por um homem muito bizarro e que não parece muito disposto ao diálogo: Ernest-Antoine SeilliSre.

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