Símbolo do debate sobre a eutanásia morre na França
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quinta-feira, 11 de julho de 2019
France Presse 
Lille - O francês Vincent Lambert, um tetraplégico em estado vegetativo há quase 11 anos, morreu nesta quinta-feira (11), poucos dias após a suspensão do tratamento, ao final de uma longa batalha judicial. O sobrinho dele, François Lambert, expressou "alívio após anos de sofrimento para todo mundo". Jean Paillot, um dos advogados dos pais de Vincent, Viviane e Pierre Lambert, confirmou a informação e disse que chegou o momento do "recolhimento".

Lambert, um ex-enfermeiro de 42 anos que sofreu um acidente de trânsito em 2008, se transformou no símbolo do debate sobre a morte digna na França. Os médicos iniciaram a retirada do tratamento na semana passada, para cumprir uma decisão da Corte de Cassação, a maior instância jurisdicional da França. Eles interromperam o funcionamento das sondas que o alimentavam e hidratavam.
Em 2008, Vincent Lambert acabara de completar 32 anos e estava prestes a tornar-se pai quando sofreu um acidente de carro perto de sua casa, na cidade de Chalons-en-Champagne, região nordeste da França. Tetraplégico e em estado vegetativo desde então, seu destino virou uma batalha legal. Os pais dele, Viviane e Pierre, lutavam para mantê-lo com vida, com a ajuda de advogados.
A mãe insistiu até o fim na tentativa de manter Vincent com vida. "Está minimamente consciente, mas não é um vegetal", declarou Viviane na segunda-feira (8), em um último apelo por ajuda apresentado na ONU (Organização das Nações Unidas) em Genebra, na Suíça, onde denunciou uma tentativa de "assassinato".
A esposa de Vincent, Rachel, o sobrinho François e seis irmãos e irmãs do paciente denunciavam uma "crueldade terapêutica". Rachel afirmava que lutava para ver Vincent "livre", pelo "respeito de suas convicções". Ela disse que o marido havia deixado claro antes do acidente que não desejava ser mantido com vida artificialmente, mas não registrou a intenção por escrito.


