Dublin - O primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, confirmou hoje que a República da Irlanda ratificou em plebiscito o Tratado de Lisboa. Com 43% das urnas apuradas, o ''sim'' tem 66,79% dos votos, contra 33,21% para o ''não'', com várias regiões que rejeitaram o tratado ano passado a favor desta vez. A proporção de dois para um deve continuar até o resultado final, segundo os analistas.
Das oito circunscrições, de um total de 43, que anunciaram resultados definitivos às 12h30 (9h30 de Brasília), apenas duas rejeitaram o tratado e seis aprovaram o texto. Destas seis, cinco passaram do ''não'' em 2008 ao ''sim'' anteontem. Em Tipperary South, onde o tratado foi rejeitado em 2008 com 53% dos votos, os eleitores ratificaram o documento com 68,42% dos votos, contra apenas 31,58% de votos negativos. Em Tipperary North, o ''sim'' obteve 70%, contra menos de 50% ano passado. Na circunscrição de Kildare North, que aprovou o tratado há 15 meses, o resultado positivo alcançou 76,19%, contra 23,8% para o ''não''.
A participação nas eleições, porém, foi baixa. Com o voto não obrigatório, cerca de um quarto dos eleitores apenas foram ontem às urnas. A apuração nas 43 circunscrições da Irlanda começou às 9 horas locais (5 horas de Brasília) e deveria acabar no fim da tarde, mas o governo não esperou a conclusão para anunciar uma ''vitória convincente'', nas palavras do ministro irlandês das Relações Exteriores, Micheal Martin.
Até o líder do grupo que defendia o ''não'' admitiu a derrota. ''Pensamos que se trata de uma vitória muito convincente do lado do 'sim'. Os irlandeses estão aterrorizados. É um voto baseado mais no medo que na esperança'', declarou o milionário Declan Ganley, idealizador do movimento de rejeição de junho de 2008.
Há 15 meses, em 12 de junho de 2008, os irlandeses rejeitaram com 53,4% dos votos o tratado, provocando uma paralisação na UE, que agora pode respirar aliviada e levar adiante a aplicação do documento. ''Obrigado Irlanda'', afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, ao manifestar o alívio com a vitória do sim. ''Quero agradecer ao povo irlandês este sinal de confiança'', afirmou Barroso em uma entrevista coletiva na sede da Comissão Europeia em Bruxelas. ''Espero que o processo avance agora o mais rápido possível'', completou, em uma referência a Polônia e República Tcheca, os dois países que ainda precisam ratificar o tratado.
A presidência da UE, atualmente nas mãos da Suécia, também saudou a vitória do sim. ''Hoje é um bom dia para a Europa'', declarou o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, cujo país exerce a presidência semestral da UE. ''O caminho tem sido longo. Agora a presidência vai trabalhar para chegar ao fim'', completou.
O tratado cria dois novos postos: um presidente de longo prazo do Conselho Europeu de líderes da UE e um chefe de política externa. A intenção é aumentar a influência do bloco, que representa 495 milhões de pessoas, enquanto a balança do poder muda após a crise financeira, dando à China e a outras potências emergentes mais voz ativa.

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