France PresseMembros da guarda real acenam para o rei Norodom Sihanouk, que seguiu ontem para SingapuraO rei do Camboja, Norodom Sihanouk, cedeu à pressão do ‘‘homem forte’’ do país, o primeiro-ministro Hun Sen, e voltou atrás em sua decisão anunciada em dezembro de anistiar seu filho, o deposto premier Norodom Ranariddh, após um eventual julgamento político.
‘‘Quero assegurar ao povo cambojano que não tenho a intenção de conceder uma anistia contrária a nossa lei nacional’’, explicou Sihanouk em um comunicado divulgado pelo palácio real. ‘‘Se não houver uma solicitação de anistia por escrito do príncipe Norodom Ranariddh depois de seu julgamento, não considerarei (a possibilidade) de conceder-lhe anistia’’, acrescentou.
A decisão do rei pode acarretar graves consequências para o futuro político do país, já que a volta de Ranariddh, atualmente no exílio, sua anistia e sua participação como candidato nas eleições gerais previstas para 26 de julho são consideradas condições para o reconhecimento internacional do pleito.
Ranariddh, derrubado no ano passado em um sangrento golpe de Estado liderado por Hun Sen, está sendo acusado por um tribunal militar cambojano de tráfico de armas e de ter colaborado com o Khmer Vermelho, para desestabilizar o governo. O príncipe se recusa a voltar ao Camboja para ser julgado ou solicitar uma anistia a seu pai.
Pouco depois da publicação do comunicado, o palácio real confirmou que o rei viajaria hoje para a China, onde receberá tratamento médico. Sihanouk abandonou de surpresa Pnom Penh ontem, depois que a imprensa governamental criticou sua decisão de conceder o perdão incondicional a seu filho Norodom Ranariddh. No início da tarde, horário local, Sihanuk embarcou em um avião da companhia SilkAir rumo a Singapura, de onde vijará hoje a Pequim. Em princípio, o monarca, de 75 anos, não deve retornar à China, onde faz tratamento médico, antes do final de fevereiro ou início de março.

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