O papa João Paulo II deu um show de simpatia em sua terceira visita ao Brasil em 19 anos de pontificado. Desembarcou no Rio, onde foi recebido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, para uma visita exclusivamente pastoral, mas acabou discutindo as questões sociais que mais preocupam a Igreja. Aos 77 anos, com as mãos tremendo e visivelmente cansado, o papa responsabilizou ‘‘a distribuição desigual e injusta dos meios econômicos’’ pelos conflitos no campo e na cidade. Oficialmente, João Paulo veio ao Brasil para o ‘‘2º Encontro Mundial do Papa com as Famílias’’.
Desde o lançamento da encíclica ‘‘Evangelium Vitae’’, em 95, ele insiste na idéia de que está em processo uma cultura ‘‘antivida’’. Essa cultura se traduz numa série de comportamentos já incorporados pela sociedade, como o uso da pílula anticoncepcional, aborto, divórcio, controle demográfico e as relações sexuais fora do casamento.
A viagem teve, no entanto, um outro objetivo. Recuperar parte do espaço que a Igreja Católica vem perdendo para as seitas evangélicas. Em documento enviado ao Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), o pontífice deixa clara a sua preocupação com a perda de fiéis e a falta de evangelizadores no continente.
No Riocentro, João Paulo falou de improviso, em português, e repetiu o refrão cantado pelos fiéis ‘‘se Deus é brasileiro, João Paulo é carioca’’. Em outra ocasião, não escondeu que ficou aborrecido ao se deparar com 800 soldados do Exército, armados com fuzis e conduzindo cães, em sua chegada ao Palácio Laranjeiras. Pediu que a segurança fosse menos ostensiva.
Na maior concentração de fiéis em sua passagem pelo Rio, reuniu dois milhões de pessoas em uma missa campal no Aterro do Flamengo.

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