O sheik da comunidade árabe de Foz do Iguaçu, Taleb Jomaa, 32 anos, destaca a cidade onde mora como ‘‘exemplo de harmonia entre as etnias’’ para as pendências entre palestinos e judeus, citando as peculiaridades da fronteira com dois países e o grande número de imigrantes chineses e do Oriente Médio. Somados aos moradores de Ciudad del Este no Paraguai, o grupo chega a contar com 10 mil árabes. Leia a entrevista feita com Jomaa, em uma tradução livre, auxiliada pelo empresário Reda Sueid. O sheik veio do Líbano e está morando no Brasil há apenas seis meses.
Folha – Os imigrantes do Oriente Médio montaram em Foz o Comitê de Luto e Solidariedade ao Povo Árabe-Palestino, com o objetivo de conscientizar a população local sobre o que se passa fronteira de Israel. Como está o relacionamento entre as etnias que vivem na cidade?
Taleb Jomaa – A convivência é harmônica e serve como exemplo para o Brasil e também para o mundo. Há uma semana, realizamos uma manifesto em frente à Mesquita e, curiosamente, contamos com o apoio de padres, pastores, políticos e integrantes do Movimento pelos Direitos Humanos. Queremos mostrar ao planeta que é possível viver em harmonia, assim como vivemos aqui. Em Foz, não há qualquer sinal de violência entre as etnias.
Folha – Como os brasileiros podem ajudar na busca de soluções para os problemas do Oriente Médio?
Jomaa – É importante salientar que a comunidade árabe não é mais ou menos brasileira que as pessoas daqui. Se o Brasil precisar de nossa ajuda, faremos isso com todas as nossas forças. É assim que podemos auxiliar nossos irmãos: demonstrando apoio entre pessoas de origem diferente.
Folha – Por que o senhor acha que Foz pode ser exemplar para o mundo sobre o bom relacionamento entre judeus e palestinos?
Jomaa – Foz me marcou muito por ser uma cidade atípica. Mesmo sendo interiorana, a cidade possui todas as referências de uma grande metrópole. Ainda assim, ela consegue receber gente de toda parte (referindo-se principalmente aos chineses e latinos do Mercosul) e manter estas pessoas em harmonia.
Folha – Algumas pessoas que estão tentando provocar divergências dentro do Brasil, usando principalmente a mídia. Foz é exemplar até mesmo para elas?
Jomaa – Principalmente para elas. Foz é a única cidade que conheço, fora do Oriente Médio, que tem a Mesquita como cartão postal. A paz faz parte do povo porque o brasileiro tem mais sensibilidade. A gente sente isso nas ruas.