Sharon reafirma posse de Jerusalém
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quinta-feira, 08 de fevereiro de 2001
Karin Laub Associated Press De Jerusalém 
Ariel Sharon, recém-saído de uma vitória eleitoral, vista como um frustrado veto público israelense a mais concessões aos palestinos, prometeu ontem numa simbólica peregrinação ao Muro das Lamentações judaico que a disputada cidade de Jerusalém permanecerá permanentemente nas mãos de Israel.
A promessa de Sharon, feita em sua primeira aparição pública depois da esmagadora vitória sobre o primeiro-ministro Ehud Barak, bate de frente contra uma exigência-chave palestina de ter controle sobre a Cidade Velha de Jerusalém e seus locais sagrados.
Entretanto, assessores de Sharon se apressaram em apresentar o novo líder de Israel como um pragmático com quem os palestinos podem negociar. Sharon quer a paz, disse um assessor, Raanan Gissin. Eu certamente acredito que os árabes sabem que não devem conseguir tudo o que buscam, mas será um verdadeiro acordo.
Assessores de Sharon sugeriram ontem que ao contrário de notícias divulgadas durante a campanha ele estaria disposto a fazer concessões territoriais na Cisjordânia e mesmo desmantelar alguns assentamentos.
Autoridades palestinas afirmaram que estão prontas para ouvir as ofertas de Sharon. O líder palestino Yasser Arafat disse a Sharon em uma mensagem de congratulação que suas mãos continuam estendidas em paz, segundo assessores de Sharon. Conselheiros de Arafat afirmaram desconhecer tal mensagem.
As 17 semanas de confrontos, deflagrados por uma visita de Sharon a um local sagrado de Jerusalém em 28 de setembro, fizeram com que muitos israelenses se voltassem contra as grandes concessões oferecidas por Barak aos palestinos e contribuíram para o seu ocaso político.
Ephraim Sneh, ministro da Defesa no governo Barak, disse que o primeiro-ministro estava simplesmente à frente de seu tempo. Barak apresentou ao povo de Israel o verdadeiro preço da paz, sem ilusões. E muitos israelenses não conseguem digerir isso ainda, afirmou Sneh.
A mais controvertida concessão de Barak seria sua disposição de entregar a Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, reverenciada pelos judeus como Monte do Templo e pelos muçulmanos como Haram as-Sharif, ou Santuário Nobre.
Ontem, Sharon visitou o Muro das Lamentações, uma parede remanescente do templo. Usando as antigas pedras cor de mel como pano de fundo, o secular Sharon disse que Jerusalém permanecerá a eterna e indivisível capital de Israel, com o Monte do Templo como seu centro por toda a eternidade.


