Jerusalém - O exército de Israel vai permanecer em Belém, na Cisjordânia, durante o Natal, e proibirá pelo segundo ano consecutivo o líder palestino, Yasser Arafat, de participar da missa da meia-noite, anunciou ontem o premier israelense, Ariel Sharon.
''Não há razão nenhuma para permitir que Yasser Arafat participe de uma cerimônia que simboliza a paz e a reconciliação, quando ele nada tem feito contra o terrorismo e só levou catástrofes para os cristãos palestinos'', disse à AFP um dirigente israelense, precisando que os soldados de Israel vão permanecer em Belém, para ''garantir a segurança''.
Os palestinos responderam imediatamente ao que consideram provocações de Israel: ''A atitude israelense é estúpida e representa uma provocação para o povo palestino. Também é um desafio patente ao Direito internacional'', reclamou em entrevista à AFP Nabil Abu Rudeina, conselheiro de Arafat. ''Israel havia prometido aos Estados Unidos e ao Papa João Paulo II que seu exército se retiraria para a festa de Natal, mas mentiu e desafiou a comunidade internacional'', acrescentou.
O exército israelense, que há mais de um ano cerca Arafat em seu quartel-general de Ramallah, na Cisjordânia, voltou a ocupar Belém no último dia 22 de novembro, em resposta a um atentado suicida ocorrido em Jerusalém.
Atentado - Três palestinos de Jerusalém Oriental acusados de planejar vários atentados, entre eles um ataque para derrubar o helicóptero do premier, Ariel Sharon, foram presos, anunciaram ontem autoridades israelenses.
Segundo a ata de acusação, à qual a AFP teve acesso, os três homens são acusados de ter planejado um ataque com um projétil contra o helicóptero de Sharon, no momento em que este se preparava para pousar no heliporto localizado nas proximidades da presidência do Conselho Israelense.
Os suspeitos atacariam a partir de uma casa de Jerusalém Oriental, na qual um deles trabalha. Ele tinha observado que os helicópteros que transportavam Sharon e outros políticos, como o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, voavam na altura da casa antes de pousar.
As autoridades israelenses acreditam que os presos pertencem ao movimento radical Jihad Islâmica, e que, além do ataque ao helicóptero de Sharon, os jovens preparavam outros atentados, com explosivos e armas automáticas, contra alvos civis em Jerusalém.
Os três homens, Omar Atrach, de 22 anos, Hader Abou Hader, da mesma idade, e Zyad Atrach, de 25, moram no bairro de Tzur Bacher, em Jerusalém Oriental. Eles foram presos há algumas semanas pelo serviço isralense de segurança interna, o Shin Beth, mas o assunto havia sido mantido em sigilo até ontem.
Os presos terão de responder pelos crimes de ''tentativa de assassinato, associação a uma rede terrorista, uso ilegal de armas, ajuda ao inimigo em época de guerra e transmissão de informação ao inimigo''. Os três homens compareceram ontem perante o tribunal do distrito de Jerusalém, para receber a notificação oficial de seu julgamento.
Bin Laden - Em entrevista ao jornal Sunday Times, Yasser Arafat acusou o chefe da rede terrorista Al-Qaeda, Ossama bin Laden, de explorar a causa palestina, quando ''jamais ajudou os palestinos'' e atua ''contra seus interesses''.
''Peço-lhe para deixar de esconder-se atrás da causa palestina. Não entendo por que Bin Laden começa agora a falar de Palestina. Jamais nos ajudou'', adiantou o dirigente palestino.
Bin Laden ''atuava em um terreno totalmente diferente e contra nossos interesses'', disse Arafat, assinalando que é o primeiro dirigente do mundo árabe a enfrentar Bin Laden.
Perguntado sobre a simpatia de que goza Bin Laden entre os jovens de Gaza e Cisjordânia, Arafat respondeu: ''Esses jovens não sabem verdadeiramente quem é Bin Laden''.

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