O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, pediu um cessar-fogo aos palestinos, parte de sua resposta ao relatório de uma comissão internacional que fez recomendações para se conseguir o fim de quase oito meses de confrontos. Numa entrevista coletiva televisionada, Sharon declarou: ‘‘Peço hoje por um trégua total na área, e digo novamente aqui que se os palestinos aceitarem esta proposta para parar o fogo, nós iremos imediatamente fazer isto.’’
Após o pedido de Sharon, o ministro israelense da Defesa, Binyamin Ben-Eliezer, ordenou que os soldados israelenses parassem de atirar, exceto em situações nas quais ‘‘a vida estiver em perigo’’. Em um comunicado emitido ontem, Ben-Eliezer pediu também aos palestinos que ‘‘parem imediatamente com a violência e o terrorismo, em um passo fundamental para o retorno à mesa de negociações’’.
Uma alta autoridade palestina, Ahmed Abdel Rahman, respondeu: ‘‘Rejeitamos tudo o que Sharon disse sobre um cessar-fogo.’’ Rahman, assessor do líder palestino Yasser Arafat, afirmou à Associated Press que o agressor é Israel.
Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, aplaudiu o pedido de Sharon. Ele disse ser ‘‘vital’’ que ‘‘as partes na região falem de forma inequívoca e peçam o fim da violência’’. Fleischer afirmou que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ‘‘saudaria uma declaração semelhante’’ de Arafat.
Sharon, entretanto, rejeitou uma recomendação-chave da comissão – um total congelamento de construção em assentamentos judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Sharon disse que aceita a fórmula da comissão, encabeçada pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, de um cessar-fogo, seguido por um período de esfriamento, medidas de criação de confiança e, finalmente, negociações de paz.
Palestinos dizem que o congelamento de assentamentos é uma questão-chave para a implementação do resto das propostas da comissão Mitchell.
Mas, mesmo enquanto os líderes se debruçavam sobre as recomendações, a violência continuava. Várias trocas de tiros foram registradas na Cisjordânia. Na Faixa de Gaza, palestinos fizeram três disparos de morteiro em território israelense. As granadas explodiram em campo aberto sem ferir ninguém.
Motoniveladoras israelenses entraram em território controlado pelos palestinos em Gaza e destruíram plantações. Militares israelenses disseram que os soldados estavam procurando bombas.
A comissão Mitchell pediu para Israel parar com tais ações em vista dos danos econômicos de longo prazo para os palestinos.

mockup