O recém-empossado primeiro-ministro Ariel Sharon e o líder palestino Yasser Arafat acenaram ontem com a possibilidade de conversarem sobre a paz, mas décadas de profunda inimizade e o atual clima hostil deixam poucas esperanças de uma retomada do processo de paz no Oriente Médio. Sharon e Arafat já negociaram frente a frente, mas a amargura entre os dois é tão grande que eles nunca trocaram um aperto de mãos.
Em seu primeiro dia completo no cargo, Sharon recebeu uma carta de congratulações de Arafat, que também pediu pela retomada das conversações de paz israelense-palestinas, rompidas pouco antes da esmagadora vitória eleitoral de Sharon em 6 de fevereiro.
‘‘Creio que deve haver uma justa e verdadeira paz impelida por um forte desejo e um genuíno esforço para a superação de dificuldades’’, escreveu Arafat numa carta em separado para o presidente israelense, Moshe Katsav.
Perguntado se estava disposto a sentar-se à mesa com Arafat, Sharon replicou: ‘‘Estou pronto para me reunir e negociar com ele, mas para isso precisamos ter tranquilidade e segurança.’’
Militantes palestinos dispararam na noite de ontem morteiros contra o assentamento judeu de Netzarim, na Faixa de Gaza, e em seguida travaram um tiroteio com forças israelenses. Não houve notícias imediatas de feridos.
Os palestinos ‘‘têm de perceber que não existe espaço para terrorismo’’, disse Uzi Landau, o novo ministro de Segurança Interna, à Rádio de Israel. Já alguns palestinos têm dito que a intifada, ou levante, não irá acabar até que Israel retire suas tropas da Cisjordânia e Faixa de Gaza e desmantele as colônias judaicas nestas regiões.

mockup