Sharon diz que é fiel ao plano de paz
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quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Agência EFE 
Jerusalém O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que ontem começou os contatos para estabilizar seu governo, rejeitará qualquer exigência política que signifique afastar-se do último plano de paz proposto pelo presidente de EUA, George W. Bush. Esta informação partiu de seu gabinete, citada pela rádio pública, descartando a possibilidade de que Sharon ceda às exigências de alguns partidos de extrema direita de abandonar o processo de paz com os palestinos proposto por Bush em setembro, em troca de entrar em sua coalizão de governo.
Sharon, que está em minoria no Parlamento, iniciou ontem os primeiros contatos para estabilizar seu Executivo e alcançar a maioria parlamentar, depois da saída do Partido Trabalhista da coalizão de unidade nacional. Ao longo do dia se embaralharam as possibilidades do primeiro-ministro, uma delas a de atrair para seu Governo a coalizão ultradireitista União Nacional-Israel Betenu, com sete deputados.
Isso despertou o temor de uma radicalização na política do Governo de Israel em relação aos palestinos, e, segundo porta-vozes da ANP, da ampliação de assentamentos judeus na Cisjordânia e em Gaza.
No entanto, os porta-vozes de Sharon asseguram que ''qualquer partido que queira entrar na coalizão deverá aceitar as linhas gerais que a guiam'' e que foram estabelecidas há 20 meses quando o líder do Likud assumiu a chefia do Governo.
Bush propôs a israelenses e palestinos um plano de três fases que prevê a pacificação da região e a evacuação de uma centena de mini-assentamentos judeus na primeira delas, a criação de um Estado palestino com fronteiras provisórias na segunda e um acordo de paz definitivo na terceira.
A primeira fase deverá completar-se em meados de 2003, a segunda no final de 2003 e a terceira em 2005 ou 2006. Israelenses e palestinos aceitaram o plano ''em princípio'' mas já puseram uma série de reservas que podem derrubar a iniciativa.
Temor palestino O ministro de Governo palestino, Saeb Erekat, chefe da equipe de negociações da Autoridade Nacional Palestina (ANP), expressou ontem sua preocupação pela formação de um novo Governo ultradireitista em Israel sem os membros do Partido Trabalhista.
Erekat manifestou que a criação de uma nova coalizão com o apoio dos partidos ultranacionalistas afetará o processo de paz, e conduzirá a expansão dos assentamentos judeus em Gaza e Cisjordânia.
Por outro lado, o ministro palestino de Cultura e Comunicação, Yasser Abed Rabo, disse que a saída do Partido Trabalhista do Governo de Unidade Nacional de Israel não conduzirá a nenhuma mudança na política desse país para os palestinos.
Benjamin Ben-Eliezer, líder do Partido Trabalhista, apresentou sua renúncia como membro do Executivo, junto com os demais ministros trabalhistas, por sua oposição ao financiamento privilegiado que recebem os assentamentos judeus nos orçamentos gerais de 2003. E garantiu que não volta atráz.


