Jerusalém- Na ausência do líder palestino Yasser Arafat, hospitalizado em Paris, Israel se declarou ontem disposto a reabrir negociações com uma nova direção palestina, que assuma o compromisso de ''combater o terrorismo''.
As instâncias palestinas, por sua vez, se reuniram em Ramallah, na Cisjordânia, para garantir a continuidade do poder, principalmente no setor da segurança.
''Se uma direção palestina renovada, séria e responsável surgir, será possível retomar as negociações com base no Mapa da Paz'' (o plano de paz internacional elaborado pelos Estados Unidos, União Européia, Rússia e Nações Unidas), afirmou o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, durante a reunião semanal de seu gabinete.
Sharon insistiu que Israel exige desta eventual nova direção um controle maior dos movimentos armados radicais e que acabe com os atentados antiisraelenses.
Durante a reunião, o dirigente do serviço de segurança interna, Avi Ditcher, informou aos ministros da existência de contatos com responsáveis palestinos na perspectiva de se chegar a um cessar-fogo.
O líder da Inteligência militar israelense, o general Aaaron Farkash, considerou, por sua vez, que um desaparecimento de Arafat poderá aumentar a pressão internacional sobre Israel para retomar as negociações de paz com os palestinos.
Em Ramallah, o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qorei, informou que uma reunião do Conselho Nacional de segurança sob sua presidência havia permitido ''examinar a situação no terreno''.
''O objetivo desta reunião é propiciar aos serviços de segurança e aos diversos órgãos todo o apoio necessário para que possam cumprir sua missão. Na presença de Arafat, como em sua ausência, a segurança tem de ser garantida'', declarou, por sua vez, o ministro das Relações Exteriores, Nabil Chaath.
Na véspera, o número dois da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Mahmud Abbas, havia lançado um apelo, em Ramallah, à ''união de todas as forças palestinas'', depois da primeira reunião do comitê executivo da OLP sem Arafat.
Sobre o líder palestino, Chaath informou que sua saúde estava melhorando, e que ele não sofre de câncer. Arafat está atualmente hospitalizado em um estabelecimento ultramoderno do bairro de Clamart, oeste de Paris.
Veto de Sharon- O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, afirmou ontem que enquanto estiver no poder não irá permitir que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, seja enterrado em Jerusalém, informou a rádio pública de Israel.
Segundo a emissora, ao ser questionado (durante reunião semanal de ministros) pelo ministro da Justiça israelense, Joseph Lapid, sobre um eventual enterro de Arafat em Jerusalém, Sharon respondeu: ''Enquanto eu estiver no poder, e não tenho intenção de abandoná-lo, Arafat não será enterrado em Jerusalém''.

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