Sharon defende plano de separação que pretende apresentar quarta-feira a Bush
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de abril de 2004
France Presse 
Jerusalém - O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, destacou ontem as vantagens que seu plano de separação com os palestinos trará para Israel e para o processo de paz, um projeto que apresentará na quarta-feira em Washington ao presidente americano, George W. Bush.
Sharon conta com o apoio de Bush para ganhar o referendo sobre seu plano, que será realizado em 29 de abril e do qual participarão os 200 mil membros de seu partido, o Likud.
Em um primeiro momento, estava previsto para acontecer em maio, mas o premier mudou a data para ganhar terreno frente aos seus opositores.
Caso ganhe, Sharon apresentará o plano em 2 de maio ao seu Gabinete para sua aprovação e, no dia seguinte, ao Knesset (Parlamento), informou a rádio pública israelense.
Seu plano prevê uma retirada da Faixa de Gaza, o fim de algumas colônias isoladas do norte da Cisjordânia e um recuo das tropas israelenses em torno do polêmico traçado da barreira de separação construída na Cisjordânia e que engloba os principais assentamentos judeus.
'A separação é boa para Israel do ponto de vista político, já que vai nos libertar das pressões supérfluas. Também o é de uma perspectiva econômica, já que abrirá possibilidades de desenvolvimento'', declarou Sharon à rádio.
Um colaborador de Sharon disse à AFP que o primeiro-ministro se comprometerá por escrito com Bush sobre a retirada da Faixa de Gaza e o desmantelamento de quatro colônias da Cisjordânia.
A fonte comentou ainda que Bush entregará a Sharon uma carta reiterando que os Estados Unidos se comprometem a garantir a segurança de Israel, a apoiar o Mapa da Paz e a impedir o lançamento de outra iniciativa diplomática, assim como a reconhecer o direito de Israel de lutar contra o terrorismo.
Também entregará uma declaração afirmando que a solução para o problema dos refugiados palestinos será atingida apenas dentro de um futuro Estado palestino, o que exclui o regresso dos palestinos a território israelense.
Na região, um palestino morreu ontem ao ser atingido por disparos israelenses no norte da Cisjordânia. Com isso, desde o início da Intifada, no final de setembro de 2000, o número de vítimas fatais chega a 3.900, sendo 2.933 palestinos e 898 israelenses.


