O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, acentuou a pressão sobre os palestinos e ao mesmo tempo deu mostras de tentar uma estratégia militar coerente que evitaria complicações no cenário internacional para o Estado judeu, estimavam os analistas ontem.
O exército israelense lançou na madrugada de ontem um ataque terrestre de grande envergadura num setor palestino autônomo na Faixa de Gaza, causando dois mortos e 50 feridos palestinos. Para os palestinos trata-se de uma ‘‘escalada sumamente perigosa’’, de ‘‘completa responsabilidade’’ de Israel.
Ao mesmo tempo, os palestinos multiplicam seus esforços para conseguir uma proteção internacional, enquanto Sharon, para cumprir sua solene promessa de instaurar a segurança entre seus compatriotas, poderia ordenar que o exército ocupe novamente os setores sob controle palestino, estimava ontem Mark Heller, do Instituto de Estudos Estratégicos Jaffee, da Universidade de Tel Aviv.
‘‘Acredito que Sharon procura um jeito de cumprir o compromisso que assumiu ante o país (...) uma resposta militar adequada cujas consequências não foram negativas para Israel’’, estimou Heller.
Sharon assumiu o poder há pouco mais de um mês, exatamente no dia 7 de março, e desde então a Intifada palestina só aumentou, em vez de diminuir. Paralelamente, o tipo de armas utilizadas e os objetivos atacados também se ampliaram. Mas ontem, o ministro israelense da defesa, Binyamin Ben Eliezer, declarou que Israel não tem intenção de voltar a ocupar territórios controlados por palestinos, embora os ataques continuem.
A medida em que a resposta israelense endureça, o pedido palestino de uma proteção internacional será mais forte ‘‘e a intervenção de uma força internacional é a última coisa que Israel quer’’, explicou Heller.

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