Se for eleito primeiro-ministro no pleito que se realiza no próximo dia 6, o candidato do Partido Likud, Ariel Sharon, não entregará mais terras aos palestinos e buscará um acordo de paz provisório de longo prazo. As terras permitiriam aos palestinos a fundação do seu Estado em apenas 42% das terras da Cisjordânia. Além disso, o candidato vai manter todos os cerca de 250 assentamentos judaicos em Gaza e na Cisjordânia, nos quais vivem perto de 200 mil pessoas, e a soberania sobre toda Jerusalém e áreas cisjordanianas consideradas de segurança nacional.
Pesquisa publicada ontem, um dia depois do começo da campanha eleitoral no rádio e na televisão, dava a Sharon uma vantagem de 18 pontos (50% da intenção de voto frente a 32% para Barak), uma vantagem que permanece estável há várias semanas. Segundo o porta-voz da campanha de Sharon, Jonathan Beker, duas novas pesquisas que aparecerão hoje dão um avanço da mesma ordem ao candidato de direita.
Os planos de Sharon foram publicados ontem pelo diário israelense Haaretz, depois de semanas de campanha eleitoral em que ele fez declarações muito vagas sobre o assunto para não perder o apoio de moderados. As idéias do candidato direitista foram duramente criticadas ontem pelo chanceler do país, Shlomo Ben-Ami, chefe da equipe que vem negociando com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, um acordo ou ao menos uma declaração de princípios com base nas propostas apresentadas pelo presidente americano Bill Clinton. Para Ben-Ami, as propostas vão levar a uma situação no estilo da Bósnia. O negociador disse ontem acreditar que ainda há uma pequena chance de as duas partes assinarem um acordo amplo antes das eleições israelenses. Um dos altos negociadores da AP, Saeb Erekat, qualificou o plano de Sharon de ‘‘receita para o desastre, receita para a guerra’’. Os palestinos reivindicam a soberania sobre toda a Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental – regiões ocupadas por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias.
Um grupo palestino aparentemente criado durante a atual intifada, a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, assumiu ontem a autoria do assassinato na quarta-feira do diretor da TV palestina, Hisham Miki, de 54 anos. ‘‘O fracasso de Arafat em castigar pessoas corruptas nos obrigou a levar a cabo o assassinato de Hisham Miki’’, assinalou a organização num panfleto enviado às agências de notícias.

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