Jerusalém O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, afirmou ontem a determinação de seu governo em continuar atacando seus inimigos ''em qualquer lugar e por todos os meios'', após o bombardeio israelense no domingo contra a Síria, ao passo que o gabinete de crise palestino prestou juramento diante do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat. O premier Ahmed Qorei e seis dos oito membros de seu governo se comprometeram a ''serem fiéis à pátria'' e a respeitar a lei e os interesses do povo palestino.
Na fronteira norte de Israel, continuava o clima de tensão ontem, após a morte na véspera de um israelense por disparos procedentes do Líbano seguidos por disparos de morteiro.
Israel ''não hesitará em atacar seus inimigos em qualquer lugar e por todos os meios'', declarou Sharon numa cerimônia para lembrar a guerra israelense-árabe de 1973. ''Mas ao mesmo tempo não desperdiçaremos nenhuma oportunidade de alcançar a paz com nossos vizinhos'', acrescentou.
''Esta geração prossegue com firmeza a luta de Israel contra as organizações terroristas cuja sede de sangue não tem limites, como ficou demonstrado no sábado'', afirmou o chefe de Governo ao se referir ao atentado suicida que matou 19 israelenses em Haifa.
''Israel tem que acabar com os atos de violência, inclusive pagando o preço de uma escalada em toda a região'', declarou o ministro dos Transportes, Avigdor Liebermann, chefe do grupo de extrema-direita União Nacional.
Já o deputado Amram Mitzna, ex-líder do Partido Trabalhista, denunciou o bombardeio. ''Este governo irresponsável coloca em perigo o Estado de Israel e seus habitantes com suas aventuras'' militares, declarou.
A oposição de esquerda pediu uma reunião extraordinária do parlamento para debater os riscos de uma eventual escalada da violência na fronteira norte.
No âmbito político palestino, o primeiro-ministro Ahmed Qorei e seu gabinete de emergência prestaram juramento em Ramallah perante o presidente da Autoridade nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat. O novo ministro do Interior, Naser Yusef, estava ausente da cerimônia de prestação de juramento e da primeira reunião do gabinete que foi realizada em seguida.
Qorei anunciou que um cessar-fogo com Israel é um ''objetivo prioritário'' de seu governo, mas o Governo israelense descartou qualquer cessar-fogo, exigindo como condição prévia o desmantelamento dos grupos armados palestinos.
Um dos chefes do Hamas, Abdelaziz al Rantisi, criticou, por sua vez, a criação desse governo de crise palestino, considerando que este terá o objetivo de ''declarar guerra'' à resistência palestina.
''A criação de um governo de emergência e a proclamação do estado de exceção significam que a Autoridade Palestina, pressionada pelos americanos e sionistas, aceitou formar um governo cujo objetivo é declarar guerra à resistência legítima do povo palestino'', declarou Rantisi em seu site www.rantisi.net.

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