Os judeus ultra-ortodoxos de Israel declararam ontem seu apoio ao candidato opositor Ariel Sharon, dando-lhe assim um suporte adicional para as eleições da amanhã para primeiro-ministro. Ontem foi o último dia da campanha eleitoral e Sharon, de tendência direitista, leva uma vantagem de 20 pontos percentuais sobre seu rival, o primeiro-ministro Ehud Barak, segundo as pesquisas.
Os jornais que representam os partidos ultra-ortodoxos ashkenazis – ou seja, compostos por judeus de origem européia – publicaram anúncios em que exortam seus leitores a votarem em Sharon, embora não o identifiquem pelo nome, chamando-o de candidato ‘‘que aproximará o país da Torah’’, que resume a lei sagrada dos judeus. A comunidade ultra-ortodoxa representa cerca de 9% dos eleitores e eles tendem a votar em bloco, baseando-se na escolha de seus líderes religiosos. Sharon também recebeu o apoio dos partido ultra-ortodoxo Shas, cujos membros são principalmente judeus sefarditas, ou seja, originários da Espanha, do norte da África e do Oriente Médio.
Durante seu sermão do sábado, Ovadiah Yosef, líder religioso do partido Shas, pediu a seus seguidores para votarem em Sharon. O Shas é o terceiro partido do Parlamento israelense.
Os ultra-ortodoxos tradicionalmente votam em candidatos conservadores, embora os partidos religiosos estejam dispostos a participar de governos de coalizão sem se importarem com quem tenha sido eleito como primeiro-ministro.
Sharon negou ter feito promessas aos ultra-ortodoxos. ‘‘Não há nenhum acordo e não há promessas’’, disse ele.
No entanto, a imprensa israelense indicou que Sharon havia feito promessas verbais aos partidos religiosos sobre uma controvertida lei que permite aos estudantes de seminários ultra-ortodoxos evitarem o serviço militar.
Os israelenses seculares, que formam a vasta maioria da população, denunciam que os religiosos não prestam serviço militar e se queixam de arcarem sozinhos com a responsabilidade pela segurança nacional. Os seculares exigem que os ultra-ortodoxos compartilhem dessa responsabilidade.
O exército israelense aumentou, ontem, sua presença nas estradas da Cisjordânia para evitar atentados. Além disso, uma patrulha do exército matou um palestino armado que tentou infiltrar-se em território israelense a partir da Faixa de Gaza.
Critica siriaA rádio oficial síria qualificou, ontem, de ‘‘terrorista’’ o candidato da direita israelense ao cargo de premier de Israel, Ariel Sharon, denunciando suas intenções de conservar as colinas do Golã se for eleito.
‘‘O terrorista Sharon também adotou a tergiversação’’, afirmou a rádio, em alusão ao plano de paz ‘‘por etapas’’ com os palestinos, proposto por Sharon ontem. Para Damasco, Barak, o premier demissionário, é responsável pelo bloqueio das negociações israelense-sírias, congeladas desde janeiro de 2000, porque rechaçou o princípio de uma retirada total da meseta síria do Golã, ocupada desde 1967.
A rádio estimou que nas eleições de amanhã, os israelenses ‘‘vão escolher entre o mau e o pior’’ quanto ao processo de paz, embora não esclarecesse qual candidato considera pior.

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