Pelo menos uma pessoa morreu e diversas ficaram feridas nesta quarta-feira em meio a confrontos em duas cidades do Iêmen, no sexto dia consecutivo de protestos contra o governo do país.

Na cidade de Aden, no sul do país, a polícia reprimiu com tiros ao alto os manifestantes que pediram a saída do presidente Ali Abdullah Saleh.

Os manifestantes atiraram pedras, queimaram veículos e um edifício municipal, e pelo menos um homem morreu baleado.

Também houve distúrbios na capital iemenita, Sanaa, onde estudantes brigaram com simpatizantes de Saleh.

O mandatário, no poder há mais de 30 anos, alega que pretende deixar o cargo a partir de 2013. Mas seus opositores pedem sua saída imediata.

Nesta quarta-feira(16), Saleh disse, segundo a agência estatal Saba, que as manifestações são parte de uma "agenda estrangeira" contra ele e contra os demais líderes do Oriente Médio.

Além de protestos contra o governo, Saleh enfrenta também uma longa disputa com o sul do país, onde há grupos com aspirações secessionistas. O Iêmen é o país mais pobre do mundo árabe.

Iraque

O Iraque também registrou uma manifestação ontem, contra o governo provincial em Kut, no sul do país.

Cerca de 2 mil pessoas se revoltaram contra a falta de serviços básicos, como eletricidade, e tentaram invadir prédios governamentais. A polícia interveio, e um adolescente foi morto e ao menos 20 pessoas ficaram feridas.

O Exército decretou toque de recolher na região e enviou tropas para patrulhar as ruas de Kut.

O correspondente da BBC em Bagdá Jonathan Head diz que a população iraquiana está cada vez mais descontente com as altas nos preços dos alimentos e que assiste de perto aos demais protestos no mundo árabe.

O Iêmen e o Iraque estão entre os diversos países de maioria muçulmana que têm registrado protestos populares, fomentados por queixas quanto ao desemprego, o aumento nos custos de vida, a corrupção governamental e a falta de liberdades individuais.

O estopim das revoltas ocorreu na Tunísia, onde o presidente foi pressionado a renunciar no mês passado. Na última semana, foi a vez do presidente egípcio, Hosni Mubarak, deixar o poder após 18 dias consecutivos de manifestações.

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