São Paulo- O ano de 2005 foi o mais violento para a imprensa na última década, com um total de 63 repórteres mortos, entre eles um brasileiro, informa o relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado ontem. Outros 1.308 profissionais foram agredidos, 807 presos e mais de mil meios de comunicação sofreram censura.
De acordo com a organização, desde 1995, quando 64 jornalistas morreram, não se havia registrado um número tão alto de mortes. No Brasil, o radialista José Amorim Cândido foi morto a tiros em 1º de julho de 2005 na cidade de Carpina, em Pernambuco.
O Iraque continua sendo um dos lugares mais perigosos para jornalistas. No total, 24 repórteres e cinco colaboradores de meios de comunicação morreram no país em 2005. Esse é o terceiro ano consecutivo que o Iraque é o país onde mais ocorrem mortes de jornalistas.
Desde o início da Guerra do Iraque, em março de 2003, 76 profissionais entre repórteres e assistentes foram assassinados no país, mais do que o registrado em toda a Guerra do Vietnã (1965-75).
China e Cuba são os dois países onde há mais jornalistas presos. No primeiro, 32 profissionais foram detidos ao longo de 2005, e no segundo 24.
Na China, o caso mais chocante é o do jornalista e crítico de arte Yu Dongyune, preso em 1989, na praça da Paz Celestial (Tiananmen), durante a violenta repressão contra os protestos pró-democracia. Ele foi condenado a 18 anos de prisão e, segundo o RSF, apresenta vários problemas psíquicos devido às torturas sofridas.
Em Cuba, 20 dos 27 jornalistas presos em 2003 cumprem sentenças que variam de 14 a 27 anos. O RSF também considera o governo cubano um ''inimigo da internet'', devido à censura exercida sobre os meios de comunicação on-line nesse país.

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