Sérvios vítimas de atentado em Kosovo
ANSA
De Belgrado
Duas granadas lançadas contra o mercado sérvio de Kosovo Polje, subúrbio de Pristina, mataram dois sérvios e feriram outros 35 12 dos quais em estado grave e despertaram novamente o terror em Kosovo. Ainda não se sabe quem promoveu o atentado anti-sérvio.
Os feridos de maior gravidade foram internados em um pequeno centro ambulatorial sob controle do contingente russo da força de paz da ONU em Kosovo (Kfor), onde algumas pessoas foram operadas às pressas.
Segundo o porta-voz da Kfor, comandante Roland Lavoie, o atentado foi promovido às 10h50 (horário local), hora que normalmente o mercado recebe o maior número de pessoas. Testemunhas disseram que as granadas foram lançadas de casas albanesas próximas do mercado.
Em sinal de protesto, centenas de sérvios bloquearam as rodovias que ligam Bresje a Pristina e Pec, onde foram registrados incidentes com efetivos da Kfor responsáveis pela segurança na região.
Bresje é uma das zonas mais povoadas por sérvios em Kosovo desde o regresso dos refugiados albaneses étnicos em junho. Por isso, a região é um dos alvos prediletos para atos de vandalismo e violência de extremistas albaneses.
Lavoie informou que após as explosões, quatro pessoas foram detidas. A polícia da ONU está interrogando dois dos detidos, ambos de etnia albanesa. Os outros dois estão sob custódia da Kfor, que não informou a identidade deles.
O líder dos sérvios de Kosovo, Dushan Ristic, responsabilizou pelo atentado membros do recém-dissolvido Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
O governo de Belgrado, por seu lado, apresentou um protesto à força da ONU por meio de uma carta na qual acusou a Kfor de ser demasiadamente tolerante com os terroristas do ELK.
Há meses, a república iugoslava tem protestado contra a inércia da Kfor na hora de defender a minoria sérvia de Kosovo e criticado duramente a transformação do ELK em um corpo de defesa civil.
O ELK se dissolveu formalmente na semana passada, para passar a ser o Corpo de Proteção de Kosovo (TMK), um órgão de proteção civil com menor poder de fogo.
Estamos consternados com o que tem ocorrido e a responsabilidade é da comunidade internacional, que se mostra incapaz de nos defender, declarou à ANSA Momcilo Trajkovic, líder dos sérvios kosovares moderados, para quem é cada vez mais alto o número de sérvios que desaparecem misteriosamente a cada dia.
Apesar do progressivo abandono das armas por parte da guerrilha separatista albanesa, em todo território de Kosovo começou a ser registrado um aumento dos atos de violência étnica que têm feito vítimas tanto entre a maioria albanesa quanto entre a minoria sérvia.
O atentado de ontem lembrou tristemente os bombardeios sérvios contra os mercados de Kosova Mitrovica e Podujevo em março, que deixaram 12 mortos e 80 feridos.
Não existe um consenso sobre o número de vítimas causadas pela contralimpeza étnica levada a cabo pelos albaneses contra os sérvios. Algumas fontes falam em 300 mortos e 500 desaparecidos. Cerca de 200.000 refugiados sérvios foram para as repúblicas iugoslavas de Sérvia e Montenegro.





