São Paulo- Uma centena de sérvios, muitos com o rosto coberto por máscaras, invadiu o prédio da Embaixada dos Estados Unidos em Belgrado, provocando um incêndio que demorou para ser controlado pelos bombeiros. Vidraças foram estilhaçadas, e móveis e documentos, atirados pelas janelas. Um cadáver carbonizado, provavelmente de um manifestante, foi retirado à noite do edifício.
Os EUA reconheceram na segunda-feira a independência da Província sérvia de Kosovo, que na véspera se declarou Estado soberano. Kosovo estava sob administração da ONU desde a intervenção da Otan (a aliança militar liderada pelos EUA) contra a repressão sérvia aos separatistas kosovares.
Cerca de mil pessoas, aglomeraradas do lado de fora da embaixada, aplaudiam o ato de vandalismo. As embaixadas são protegidas pelo princípio da extraterritorialidade (território do país representado). A polícia, ausente, chegou 30 minutos depois e dispersou os radicais com gás lacrimogêneo. Há 88 feridos, 19 deles policiais.
O embaixador americano nas Nações Unidas, Zalmay Khalilzad, declarou-se ''ultrajado'' pelo incidente e disse que pediria que o Conselho de Segurança o condenasse.
O subsecretário de Estado Nicholas Burns advertiu governantes sérvios que os responsabilizaria por qualquer novo incidente na embaixada.
As embaixadas da Croácia, da Bósnia e da Turquia também foram danificadas por manifestantes, segundo a TV sérvia. Eles antes danificaram bancos e uma loja da rede McDonald's.
Esse conjunto de incidentes foi precedido por uma grande manifestação com declarações exaltadas, convocada pelo governo e que reuniu 150 mil pessoas diante do Parlamento.

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